COTIDIANO
O rio desgovernado a atrapalhar o trafico,
O trio atrapalhado a ingerir o acido;
O tio estropiado a atazanar rotinas,
O fio enferrujado a incomodar retinas.
O rico fazendeiro a estropiar sem terras,
No riso o mundo inteiro azarando as feras;
Num circo artificial a diarréia escorre,
É um xisto de metal, uma dor que nunca morre.
Sou frágil imitação, veneno na lavanda,
Na dura retidão governo que me zanga;
Eu vejo no espelho reflexos de um escuro,
Enredo de novelas plagiando este futuro.
Sem terra e sem enxada, também sem o fermento,
Da lida insaciada, vontade desta gente;
É dura esta rotina, a vida deste povo,
Semente apodrecida no começas de novo.
E o escravo te retruca, também diz sim senhor,
Na dor que lhe cutuca manchada de pavor;
Sou filho deste sonho, teu negro pesadelo,
Reflexo tristonho no fundo do espelho.
*J.L.BORGES
Nenhum comentário:
Postar um comentário