A VIDA DE UM CACHORRO EM UM MINUTO
Eu vou me apresenrar:
Me chamam de Boby, sou um cachorro peludo com 15 anos de vida, tamanho medio com 10 kg que antigamente era puro músculos e testosterona, agora quase no final de minha vida um cão docil sempre agradando os meus tutores.
Acredito que foi por Fevereiro a mais de quinze anos que eu cheguei ao planeta terra através de uma relação confusa entre meu pai e minha mãe, não propriamente chegar chegando, pois apenas fui semeado as escondida no útero de minha mãe; ela com apenas dois anos e ele o semeador com seus dois anos e meio
Nasci em uma cidadezinha, no interior do Rio grande do sul,aqui no sul do Brasil.
Sei desses fatos por ouvir meus tutores falarem aos vizinhos, sei até que foi em Novembro,15 anos atrás, filho de mãe de origem capa preta, e de pai de raça indefinida, vulgo viralata, ela uma mãe solteira na época inaceitável, até para os cães mais viralatas.
Sei lá como foi a gestação de minha mãe, acredito que conturbada, ela uma mãe solteira, inadmissível naquela época, e ele imaginando-se um dom Juan interiorano, querendo ser o cachorrão reprodutor emprenhando muita cadelinha desavisada naquele longínquo interior.
Imaginem o quê não passou pela cabeça daquela cadelinha cuidadora de quintais alheios naquela pequena e pacata cidade do interior, ainda mais que o genitor era nada mais nada menos que um cão de raça indefinida, algo intolerável a meus futuros tutores materno.
Com o passar dos dias o coração dos tutores de minha mãe foi abrandado e acabei indo morar com eles, pois minha mãe acabou indo para capital.
E meu pai? Acredito que ficou por lá mesmo, indo posteriormente também para a capital.
E foi assim minha chegada a terra naquele longínquo ano.
(...)
Fui criado pelos tutores de minha mãe, criado como um cachorrinho um tanto que problematico, e sobrevivendo precariamente devido a falta de posses de meus tutores.
Enquanto isso a sorte batia as portas da vida de minha mãe que tinha ido embora para a capital cuidar de quintais de grandes casas e que acabou casado-se com um doberman daquela grande casa, assim desse matrimônio foi gerado um casal de filhotes bem nutridos que posteriormente foram adotados por tutores de boa situação financeira .
Eu criado com meus tutores a quem os chamava de pais, tive muitas dificuldades na infância, Pois eu era um cãozinho muito rebelde, gostava de correr atrás dos carteiros que naquela época tinha em abundância para a alegria dos viralatas que nem eu, hoje em dia raramente ve-se um por ai para a tristeza de cãozinhos rebeldes que vagam pelas vielas escuras das cidades.
Eu, devido a idade já avançada parei com estas travessuras, nem atrás de gatos e gatinhas corro mais.
Mas voltando aos meus porens, devido a precaruedade da infância e adolescência , minha vida não foi um mar de rosas,foi realmente uma vida de cachorro, amores mal resolvidos, com cadelinhas cabeça oca, trabalhos mal renunerado, pois quem iria pagar com boas rações e veterinário a um vigia noturno de galpões abandonados.
Mas vamos parar por ai, o tempo passou, muita coisa aconteceu em minha conturbada vida e eu através do mar revolto onde meu veleiro teimosamente seguiu seu percurso, cheguei até aqui neste porto que não sei se é seguro ou não.
Meu pai não é mais um cachorro garanhão, talves seja mais uma estrelinha no céu, minha mãe não é mais nenhuma jovem cachorrinha, mas aqui está neste planeta carnívoro.
Minha história não terminou é lógico, mas aquele drama apocalíptico está criptografado nas catacumbas do tempo, confundindo-se com tantas histórias de cães abandonados que vagam pelo planeta terra.
(...)
E agora no crepúsculo de minha existência graça ao livro do tempo,tenho uma vida melhor ao lado de minha cachorra, rações quatro vezes ao dia e uma confortável casa que os meus bons tutores me presenteram.
*J.L.Borges.do Brasil ®
Poeta Sul Rio-grandense
Guaiba…01/2026