terça-feira, 4 de agosto de 2026

COMPLEXO DE VIRA LATA



COMPLEXO DE VIRA LATA  

Hoje acordei parecendo um cão vadio;  
Revirando estas latas da fria solidão,  
Lhe dei minha mão, ganhei dela então,  
Apenas a ilusão e um dia sombrio.

Lambi-lhe os pés, lhe dei mil carinhos,  
E ela sozinho, aqui me deixou;  
E agora, ó ingrata, nem sei pra onde vou,  
Caído estou neste abismo daninho.

Meu coraçãoestá bem igual,  
A um vira-lata e vadio cão, 
Lambendo as feridas da doida paixão.  

E agora, o que faço? O que traço, afinal?  
Sei bem o que faço: me ergo do chão,  
Pois eu sou mais eu,não teu animal.

*J.L.Borges.do Brasil ®
Guaiba 2026/08

MINHA DESCRENÇA


MINHA DESCRENÇA 

Eu não acredito em padres, 
Eu não acredito em bispos,
Eu não acredito em pastores;
Eu não acredito em papas,
Eu não acredito em monges,
Nem acredito em louvores. 

São gritos…comedias… mitos,
Jogados a goela abaixo,
Dizendo o mundo acabar,
E reconstruir ele de novo, 
Só basta o dízimo aumentar,
Para salvar este povo.

Não mais creio em religião, 
Nem no velhinho barbudo,
Tudo é engodo e trapaça, 
Pedras jogadas em vidraças, 
E o povo jogados as traças,
Sem fé…sem dor…sem anseio.

O povo? Tolas ovelhas,
A se atirarem aos lobos,
Frágeis e tênues centelhas, 
Das estrelas que caem no lodo,
São débeis e sem opinião ,
A oração faz parte do jogo.

*J.L.Borges.do Brasil ®
Guaiba 2026/08



terça-feira, 21 de julho de 2026

DAMA DE OURO

DAMA DE OURO 

Apostei meu desespero,  
no jogo do amor;  
E depois do amor ligeiro,  
Veio a malfadada dor.

Mas como chegou partiu,  
E na penumbra vi a dama;  
Luz tênue que sumiu,  
Deixando em mim só lama.

Era de ouro? Assim pensei,  
Mas sei que me enganei:  
Na minha mão, dama de bastos.

Blefei, mas dei um basta!  
Por tanto amar-te, errei.  
Sozinho agora, (eu rei).

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/07

                  



MUDANÇA

  
MUDANÇA 

O mundo muda depressa,  
Além do meu horizonte,  
Uma canção recomeça:  
São sons de montes e fontes. 

O mundo canta lá fora,  
Lágrimas de chuva que caem;  
Nesta esperança de agora,  
Onde os sorrisos se esvaem. 

Depressa o mundo mudando,  
E eu, andando veloz,  
Tento brilhar neste escuro.

E está mudança no mundo,
Me transporta em outros caminhos, 
Rimo a paz que procuro.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/07



RECOMEÇO


RECOMEÇO 

Queria estar hoje cantando,  
Afinando a minha voz,  
Para descortinar o futuro  
Num brilho suave e veloz.

Mas não sou pássaro cantante,  
Nem sequer um vaga-lume;  
Não sei cantar, nem brilhar,  
Esta é minha sina, meu ciúme.

Mas tenho um sonho marcante:  
Sem dor, sem medo ou perfume.  
Meu sonho? Recomeçar.

Um recomeço sem o peso  
Da vida que vem vibrante,  
Tentando me sufocar.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/07


SILÊNCIO, RAZÃO E EVOLUÇÃO

  
SILÊNCIO, RAZÃO E EVOLUÇÃO 

Aquela pessoa que odeia o silêncio e ama o barulho  
é uma pessoa vazia por dentro,  
com o coração raso de razão e de emoção.

A pessoa profunda  
anda de mãos dadas com a razão,  
fazendo do silêncio  
a equação para o verdadeiro evoluir do pensamento.

“Quem foge do silêncio foge de si. Quem abraça o silêncio, evolui.”

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/07

quinta-feira, 16 de julho de 2026

UM DIA NA ERA DO GELO


UM DIA NA ERA DO GELO

Há 40.000 anos atrás  
—-------------------------------------
Faltam umas 2 horas para o sol nascer. O grupo está adormecido em uma grande caverna. São 14 adultos jovens, 7 homens e 7 mulheres, alguns anciãos e crianças. Estes dois últimos, próximos à fogueira. Logo após, as mulheres. E mais à entrada da caverna, os homens mais jovens. Tudo isso é uma questão de sobrevivência: adultos precisam das mulheres para os afazeres cotidianos e para o próprio seguimento da espécie. Os anciãos, para repassarem o conhecimento a eles próprios e às crianças. E precisam das crianças para o seguimento da espécie e para os cuidados da sua velhice. Tudo uma questão de trocas.
… … …
O sol nem pensa em aparecer. E quando surgir será por poucas horas. E tudo terá que ser feito rapidamente. Aproveitar o curto período de luz e calor, para não ter risco ao pequeno grupo de humanos lá adormecido.  
A neve cai lá fora quase que verticalmente, acumulando na entrada da caverna como túmulo branco.
O vento parece cantar uma nostálgica canção glacial, chega a ferir os ouvidos de Jorg, mas ele terá muitos afazeres juntamente com seus companheiros de caçada, para ficar se preocupando com o vento e sua canção, eles tem uns que cuidarem dos outros, nem pensar em alguém ferido na caçada que é sempre um constante perigo.
… … …

Enfim Jorg, o líder da clã, acorda, desperta em alerta, pois ouviu o uivar de lobos lá fora.  
"Tudo normal" — pensa ele. Olha para a fogueira, o fogo quase extinguindo-se. Pé por pé, para não acordar o grupo, vai até a fogueira e a alimenta com mais toras de lenha.
O frio morde antes do sol nascer. Morde pior que urso polar.  
Os corpos do bicho homem chegam a tremer devido ao frio, mas as grossas peles os protegem, embora precariamente.
… … …

Muito gelo e vento cortante por todos os lados, zunindo nos ouvidos de quem ouve e vê como lobos uivantes.
Estes são os dias da era glacial.  
Ano após ano, parece inverno interminável.  
O pequeno grupo humano tem como objetivo principal o compartilhamento de habitação, alimentação e conhecimento.  
Se for quebrado este elo, fatalmente o pequeno grupo humano como o de Jorg sucumbirá um a um, levando consequentemente à extinção humana.
… … …

Jorg, o chefe da clã, levantou primeiro.  
Cuspiu no fogo e na brasa e falou, quase que grunindo aos seus companheiros:  
— Levantem. Hoje o dia traz cheiro de bicho dos grandes.
Ao redor, 7 corpos masculinos se mexeram dentro do couro de mamutes.  
Éramos "nós".  
As mulheres, os anciãos e as crianças descansaram um pouco mais.
Não tomamos nada na grande caverna forrada de gramas e couros de mamutes.  
Apenas comemos carne dura do dia anterior.  
Ao sairmos da caverna bebemos água do riacho que serpenteava logo à frente.  
E saímos em fila, um a um.
… … …
O campo era amarelo, queimado pelo gelo.  
Capim até o joelho, espinho cortante e céu limpo.  
A terra muito seca porque o mar estava lá embaixo, metros e metros atrás.  
O gelo segurava a água.  
Saímos sabendo que o grupo que ficou na caverna seria protegido pela sabedoria dos anciãos e pela praticidade de nossas mulheres cuidando de nossas crias em segurança. Mas sabendo nós que não poderia ser uma ausência longa, para não pôr o grupo que ficou por lá em risco.  
E assim seguimos um a um.
Não muito longe da caverna, em alguns instantes de observação, Jorg vê no chão marcas. São três dedos desenhando a terra enlameada, marcas bem fundas. E mais uma marca de três dedos, mais superficial.  
— É um bicho grande e um filhote, grande também — falou Jorg.
… … …

Andamos até o sol ficar a pino. O suor gelava nas nossas costas queimadas.  
Lá na frente: ela. 4 metros. Garras do tamanho de lança.  
O filhote, bem nutrido, estava a seu lado.
Jorg olhou pros outros.  
Não precisou falar.  
Fogo na lança.  
Grito.  
Pedra e ação.
Duas horas depois: silêncio.  
Jorg encostou a mão no pelo e falou.  
— Esse filhote aqui dá comida pra muitas luas, couro para nosso abrigo e óleo para as chamas também.
Enquanto cortavam, Jorg ficou quieto.  
A faca de pedra na mão, o cheiro de sangue no ar.
Um pouco exausto, mas feliz pelo sucesso da caçada, pensa baixinho:  
*_"Eu fico me imaginando neste mundo a tantos anos à frente... tão diferente desta vida fria onde ninguém mal lembra do passado, onde nossos ancestrais suaram sangue para aqui eu estar.  
Somos parte do planeta. Carne, suor e vísceras. Mesma terra.  
Mesma fome.  
Mesma sede.  
E no futuro, como seremos e agiremos?  
Será que amaremos esta terra, como hoje amamos?"
… … …
A noite caiu.  
Fogueira alta.  
Carne assando.  
Lobos uivando ao longe.  
Jorg deitou por último.  
Corpo cansado e barriga cheia.  
Olhou pro céu cravejado de estrela, pensou numa vida futura, fechou os olhos e adormeceu.  
Amanhã será um novo dia.
… … …
Antes do término da luz daquele dia, há 40.000 anos atrás, sobre uma tocha rudimentar de óleo do próprio animal caçado, desenho na caverna a saga daquela grande caçada. E como que assinando a epopeia, deixo minhas mãos impressas na parede da caverna glacial.

—-------------------------------------
E hoje, na atualidade, humanos curiosos,mortais e frágeis tentando decifrar o que ocorreu aquele dia, naquela temota era glacial.

*J.L.Borges.do Brasil ®
Guaiba 2026/07


MILIONÉSIMO DE SEGUNDO


MILIONÉSIMO DE SEGUNDO 
 
(Se a história da Terra fosse 1 dia de 24 horas, nós estaríamos aqui agora.  
Entre o 1º e o 2º milionésimo de segundo.)
… … … … … … … … …

Hoje vi um documentário sobre a linha do tempo da Terra. Fiz a conta da minha vida.  
Resultado: tenho 1,3 milionésimo de segundo.  
Toda a humanidade atual, junto, talvez chegue a 2 milionésimos.

Na escala do tempo e do espaço... somos nada. Nada. Nada. Nada.

E aí eu penso: pra quê tanta soberba? Tanto egoísmo? Tanta maldade?

Somos pó. Pó infinitamente minúsculo.  
Pó vindo de estrelas distantes, no limiar do universo.

Somos só um piscar. E dentro desse piscar já nasceram civilizações inteiras, viveram e sumiram.  
É pra ver como somos insignificantes.

No tempo geológico, somos um tênue espirro atômico.  
Navegados pelo espaço como poeira de uma estrela com "renite" que nos expeliu.

O carbono do corpo, o ferro do sangue, o cálcio dos ossos...  
Tudo foi forjado no coração de sóis que explodiram há bilhões de anos.  
E daí? Pergunta algum cético. E eu prossigo.

A Terra juntou esse pó, deu água, deu tempo. E o pó ganhou vida.  
Da vida surgiu a inteligência.  
E essa inteligência começou a perguntar: de onde viemos? Para onde vamos?  
E começou também a se autodestruir. Pode isso?

A Terra ficou bilhões de anos sem precisar de ninguém.  
Não precisou da gente. Somos nós que precisamos dela. Sacou, cara pálida?

Neste contexto de 1 a 2 milionésimos de segundo, que tal olhar o céu e achá-lo maravilhoso?  
Que tal olhar este planeta que nos abriga e achá-lo maravilhoso?

"Papo de sonhador olhando estrela”, alguns dirão. Tudo bem. Mas vamos continuar esta dissertação real.

Não somos o centro da história da Terra. Nem do universo.  
Somos a milionésima parte da história da Terra que ganhou consciência.

E é por isso que devemos amar e proteger este planeta que nos dá vida.  
Dar o exemplo.  
Para que milhares de gerações, daqui a "uma hora" na idade da Terra,  
ainda possam caminhar neste planeta e pensar como eu penso agora.  
Neste milionésimo de segundo.

*J.L.Borges.do Brasil ®
Guaiba, 07/2026

O MELHOR DA PIOR IDADE


O MELHOR DA PIOR IDADE 

Eu vejo, leio, enfim. Tenho uma gama de informações sobre envelhecer. Uns falam de terceira idade, outros de melhor idade.  
Falam tudo isso esquecendo que o corpo é frágil. E que, com o passar dos anos, começa a degradação.

Por isso acho muito patético quando me falam de "melhor idade". Sou duro, curto e seco. Para mim, a melhor idade já se foi faz tempo.

Imagino-me com meus 20 anos, 30 anos, 40 anos. Estas foram minhas melhores idades.  

Passando dos 50 começa a decadência do ser humano. 
60: dores aqui e ali.  
70: mais dores e dores.  
80: além das dores, o esquecimento. Isso é terrível.  
E aos 90?

Fico pensando: o ser humano tem prazo de validade saudável. Passou o prazo e ele insiste. Por quê? Pra quê?  
Se perguntarmos, ele responde que quer chegar aos 120.

Desse jeito que a sociedade se porta, vale a pena?  
Na cabeça dos mais jovens, velho tem pouco valor, a não ser pelo lado financeiro se o velhote é bem aposentado. (Velho, ancião)... qual será a forma politicamente correta?

Mas vamos lá. Sou muito jovem para desembarcar dessa nave chamada Planeta Terra.  
Quero chegar aos 150.

J.L.Borges.do Brasil ®
Guaiba 2026/07

A CHAMA DO NOSSO AMOR

A CHAMA DO NOSSO AMOR  

Quero te beijar, querida,  
Com volúpia e com ardor;  
E você verá estrelas,  
Gemerás sem sentir dor.

Quando eu te abraçar, ó vida,  
Na cadência deste amor;  
Eu também verei estrelas,  
E gemerei sem sentir dor.

E nós dois navegaremos  
Neste voluptuoso oceano  
De paixões e de mil planos,

Onde a chama que acendemos  
Tremula... apaga... reacende,  
Todo o tempo... ano a ano.

*J.L.Borges.do Brasil ®
Guaiba 2026/07

domingo, 5 de julho de 2026

NÃO SOMOS MAQUINAS


NÃO SOMOS MÁQUINAS

Palavras de ajuda valem muito mais que qualquer riqueza do mundo. O dinheiro pode comprar muita coisa, mas não compra a verdadeira amizade.  
As boas palavras de aconselhamento tornam nossa mente mais leve. Nós, que não somos máquinas, sabemos que o líquido que lubrifica nossa mente e nos dá paz são as palavras amigas.

*J.L. Borges, do Brasil ®
Guaiba 2026/07



SAUDADE DA LEVEZA DO SER


SAUDADE DA LEVEZA DO SER

“Quando começamos a envelhecer nossa vida se transforma em um rosário de saudade”
—----------------------------------
Tenho saudade da minha leveza,  
Quando flutuava pelos campos da minha juventude.  
Saudade do riso fácil que fluía da minha alma  
Como águas de cascatas cristalinas 

É uma saudade imensa, 
Mal cabe dentro do peito    
Mas cabe todinha dentro do meu coração.

*J.L. Borges, do Brasil ®
Guaiba 2026/07


O CONTADOR...Conto


O CONTADOR

Fulano de Tal era um sujeito miserável de marca maior. Como diz um velho ditado, o negócio dele era trabalhar, trabalhar, trabalhar. Enfim, acumular horas extras para ganhar bastante dinheiro. Como ele sempre dizia, era a alegria dos patrões, pois trabalhava 12 horas por dia, sete dias por semana. 
- "Namorar? Capaz!" - falava ele. "Isso dá muito gasto."
Claro que, com esse pensamento miserável, morava sozinho, dormia sozinho e falava sozinho. Na empresa, nem pensar em ficar de "trololó" com os colegas. Tinha que produzir, produzir, produzir. Só assim ganharia mais e mais.
Fulano era tão ganancioso e amava tanto o dinheiro que, quando saía do serviço, corria para casa, trancava-se no quarto e se punha a contar seu dinheiro. Contar, contar e contar. Só depois, já exausto de contar, é que ia fazer seus afazeres domésticos.
Sua paixão pelo dinheiro era tanta que o recebia direto das mãos dos patrões. Só para sentir o calor das cédulas nas mãos e o volume nos bolsos. O sujeito não o colocava no banco. Guardava-o em seu quarto, a sete chaves, só para poder vê-lo diuturnamente.
Certa noite, por milagre, estava a olhar o céu estrelado e imaginou cada estrela como se fosse moeda de ouro e prata. Todas dele, lógico. Suspirou, pensando no prazer que seria contá-las uma a uma e deixá-las bem organizadas em seu quarto, que aliás já abrigava uma considerável quantia em dinheiro.
Com esse pensamento, o avarento e ganancioso sujeito foi dormir. Tinha que acordar cedo. O trabalho o esperava de braços abertos.
Acordou, como sempre, cedo. Foi se preparar para a labuta. Abre a porta do quarto e, eis que, para seu espanto, vê por toda a sala cédulas e mais cédulas, de todos os valores. Chega a babar de felicidade e rapidamente começa a colocá-las dentro do quarto. Esquece da refeição, do trabalho, enfim, de tudo à sua volta, e começa a contá-las freneticamente, organizando-as por seus respectivos valores. Assim passa o dia todo contando. Lá pelas 10 da noite, já cansado, consegue organizá-las e anotar o valor de sua fortuna, que caíra por encanto em seu colo. Muito cansado, dorme ali mesmo, ao lado daquela fortuna.
Lá pelas tantas da madrugada acorda e, para sua surpresa, nada estava lá. Todo aquele dinheiro tinha sumido.  
"Será que enlouqueci?", pensa ele. "Será que foi uma alucinação?"  
Olha ao lado e vê todas as anotações. Muita grana, por sinal. Fica alguns instantes pensando. Roubo não podia ser. Sua casa era bem fechada, com alarme de segurança para proteger seu amado dinheiro. Corre e olha embaixo da cama. Lá está sua mala intacta. Então não foi roubo. Foi sim uma alucinação. Abre a mala e começa sua contagem diária. Depois disso volta a dormir, para retomar sua rotina e dar uma boa desculpa. Afinal, ele trabalha na mesma empresa há 25 anos e nunca faltou um dia sequer.
O avarento acorda no horário de costume, levanta-se e vai preparar seu desjejum. Ao abrir a porta do quarto, olha esbugalhado: aquela fortuna espalhada por toda a sala! Sem pensar duas vezes, leva tudo para o quarto. Esquece do trabalho e recomeça sua frenética contagem e anotações. Lá pelas 9 da noite, a fome bate. A contragosto interrompe a contagem, faz uma rápida refeição e volta a contar, anotar, contar, anotar. Termina um pouco mais tarde e, exausto, cai num sono ferrado.
Ao acordar pela manhã, fica estupefato. Toda aquela grana, contada, anotada e organizada, tinha sumido.  
"Não pode ser", pensa ele. "Enlouqueci mesmo?"  
Porém, olha ao lado e vê os papéis de suas anotações. Fica sem saber o que pensar. Mas num estalo lembra do trabalho. O que vai explicar agora por 2 dias de falta? Vai ter que mentir que estava acamado. Não gosta muito disso. Mentir requer energia pra gastar, e gastar não era com ele. Mas vai lá e, por uma boa causa, fala a seus botões.
E assim se prepara para começar sua rotina: trabalhar, receber, contar, guardar. Apesar de já estar cansando de tanta contagem, meio trôpego abre lentamente a porta do quarto.  
"Não é possível!", geme ele. Espalhada por toda a casa, aquela imensa fortuna. Agora parecia um montante ainda maior.  
"O que fazer?", pensa ele. "Não posso deixar toda essa dinheirama espalhada pela sala e ir trabalhar como se nada tivesse acontecido. O trabalho que se exploda", fala ele. "Eu vou é recolher este dinheiro, que é todo meu. Contá-lo, organizá-lo e anotar tudo novamente. Só que agora não vou dormir. Quero ver se vai sumir. Amanhã vou lá na firma. Não vou dar explicações. Eu vou é comprar a empresa para adquirir mais e mais dinheiro. Meus colegas vão ver. A primeira coisa que vou fazer é cortar as horas de pausa para o almoço e outras regalias. Deixa comigo."
E assim o avarento recomeça sua surreal contagem. Esquece até da fome. O dia todo passa contando, anotando, organizando. Lá pelas 5 da tarde bate a fome. Frita um ovo, pega um café requentado e um pão já duro e amanhecido. Faz uma rápida refeição.
Passados 3 dias de falta de Fulano de Tal, os patrões vão até a casa do sujeito. Coisa que não era costume deles, mas quebraram a regra por se tratar de um funcionário antiquíssimo que nunca tinha faltado meio dia de serviço sequer. Não telefonaram, pois, tão miserável que era, nem um simples aparelho celular ele tinha. "Gastar inutilmente pra quê?", dizia ele. "Gosto é de falar olho no olho."
Chegando lá, batem palmas, gritam e nada. Com muita dificuldade pulam o portão. Batem na porta, e ao fazê-lo notam que estava apenas encostada. Adentram o imóvel. Tudo em silêncio. Chamam o homem. Em resposta, mais silêncio. Vão casa adentro, imaginando o pior.  
"Boa coisa não é", fala um dos homens.
Chegam na sala: vazia e silenciosa. Olham a peça ao lado. Vem uma luz pelas frestas da porta. Abrem-na. E lá está o homem, rodeado de rolos e rolos de papel higiênico e outros tantos papéis picotados. O homem, ajoelhado, contando-os, anotando-os em algumas folhas de papel e os colocando em grandes caixas de papelão.
Eles ficam ali, imóveis, a observá-lo. Uma hora depois, o veem recolocar todos aqueles picotes no chão e recomeçar a recontagem.
Agora, lá no manicômio, tem um novo hóspede bem pitoresco, por sinal.  
Seu codinome? *O Contador".

*J.L. Borges, do Brasil ®

O CONTADOR.microconto



O CONTADOR - Microconto

Fulano de Tal era um sujeito miserável de marca maior. O negócio dele era trabalhar, trabalhar, trabalhar. Doze horas por dia, sete dias por semana. 

"Namorar? Capaz!" dizia. "Isso dá gasto."

Morava sozinho, dormia sozinho, falava sozinho. Na empresa, nada de "trololó" com os colegas. Só produzir, produzir, produzir. 

Amava tanto o dinheiro que o recebia direto das mãos dos patrões. Só para sentir o calor das cédulas. Não punha no banco. Guardava em casa, a sete chaves, para ver diuturnamente.

Certa noite olhou o céu e imaginou cada estrela como moeda de ouro. Todas dele. Suspirou.

Na manhã seguinte abriu a porta do quarto e parou. A sala estava tomada por cédulas de todos os valores. Babou de felicidade. Esqueceu o trabalho, a comida, tudo. Passou o dia contando, organizando por valor. Às 10 da noite anotou a fortuna e dormiu ao lado dela, exausto.

De madrugada acordou. Nada. O dinheiro tinha sumido. Só restaram as anotações. "Enlouqueci? Foi alucinação?" A casa tinha alarme. A mala estava intacta embaixo da cama. Não foi roubo. Voltou a contar o pouco que tinha e dormiu.

No dia seguinte, a mesma cena: a casa cheia de dinheiro. De novo esqueceu o trabalho e recomeçou a contagem frenética. Comeu às pressas e dormiu.

Na manhã seguinte, de novo: tudo sumido. Só os papéis. "Preciso dar desculpa na firma", pensou. "Mentir gasta energia."

No terceiro dia abriu a porta e gemeu: mais dinheiro ainda, espalhado pela casa. "O trabalho que se exploda. Vou comprar a empresa", decidiu. E contou o dia inteiro.

Três dias depois, os patrões foram à sua casa. Pularam o portão. A porta estava encostada. Chamaram. Silêncio.

Na sala, vazia. No quarto, luz. Abriram. Lá estava Fulano, ajoelhado, rodeado de rolos de papel higiênico picotado. Contava, anotava e guardava em caixas de papelão. Uma hora depois, jogava tudo no chão e recomeçava.

Hoje, no manicômio, há um novo hóspede.  
Codinome: *"O Contador"*.

*J.L. Borges, do Brasil ®
Guaiba 2026/07

-

terça-feira, 30 de junho de 2026

VIDA DOÍDA


VIDA DOÍDA 

Um certo professor de filosofia fala aos seus alunos:  
— A vida é um constante doer. E enquanto sentirmos dor, temos a certeza de que estamos vivos.
Um jovem aluno fala ao professor:  
— Coroa, não estou sacando suas palavras. Eu não sinto dor. Quer dizer que não estou vivo?
O professor fala então ao jovem:  
— Me dê sua mão.
E dá uma mordida em seu dedo mindinho. O jovem urra de dor e ele lhe diz:  
— Agora você está vivo.
J.L.Borges.do Brasil 
Guaíba, 2026/06


A GRANDE MURALHA

A GRANDE MURALHA

A grande muralha, 
Colossal e fria, 
Nos levando ao passado.

A grande muralha, 
Monumental e fria, 
Sonho restaurado.

Do lado de lá, 
Cultura milenar, 
Inteligência artificial. 

Do lado de cá, 
Pesadelo do sistema, 
Cultura superficial.

*J.L. Borges do Brasil ®
Guaíba, 2026/06

quinta-feira, 25 de junho de 2026

VIDA DOÍDA


VIDA DOÍDA 

Um certo professor de filosofia fala aos seus alunos:  
— A vida é um constante doer. E enquanto sentirmos dor, temos a certeza de que estamos vivos.
Um jovem aluno fala ao professor:  
— Coroa, não estou sacando suas palavras. Eu não sinto dor. Quer dizer que não estou vivo?
O professor fala então ao jovem:  
— Me dê sua mão.
E dá uma mordida em seu dedo mindinho. O jovem urra de dor e ele lhe diz:  
— Agora você está vivo.
J.L.Borges.do Brasil 
Guaíba, 2026/06



quarta-feira, 24 de junho de 2026

VIDA DOLORIDA

VIDA DOLORIDA 

“A vida é um constante doer. E enquanto eu sentir dor tenho certeza que estou vivo”
… … … … … … … … … …
*
J.L.Borges.do Brasil 
Guaiba 2026/06

LUA CHEIA DE AMOR


LUA CHEIA DE AMOR

Lua cheia, lua nova, lua crescente,  
Ao te amar, meu amor, tanto faz;  
É só contigo que eu encontro  
O meu sossego, a minha paz.

Aquela paz que descobri,  
Numa certa noite de verão astral;  
Quando estava navegando  
Em luas misteriosas de Júpiter.

E foi lá que encontrei a bela,  
Surfando nos anéis de Saturno,  
E em plena transmutação nos apaixonamos,  
E eu a amei numa cauda de cometa.

Tantas luas encontramos pelo caminho,  
Ao voltarmos ao normal da realidade,  
Percebo agora que não importa quantas luas,  
Se é só com ela que encontro minha paz.

*J.L.Borges.do Brasil ®  
Guaíba 2026/06


ALINHAMENTO DOS PLANETAS


ALINHAMENTO DO AMOR

Eu percebo no alinhamento dos planetas,  
Que ainda temos esperança para a paz;  
Não quero mais vestir roupas violentas,  
A transparência de amar me satisfaz.

Um dia encontrei em Júpiter um novo amor,  
A mais de oitocentas mil léguas de paixão,  
Mas foi em Vênus que descobri o ardor  
De amar com volúpia e emoção.

…………

De repente me vi estacionado em Mercúrio,  
O remédio que transcendeu todo este sonho,  
Para enfim eu poder amar em paz.

E vi na rua da saudade muitas luas,  
Iluminando a inocência do meu escuro,  
Onde amar nunca é demais.
*
J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/06


A MAIOR DAS VERDADES


A MAIOR DAS VERDADES 
 
A velhice não é medida pelo grau de desgaste do corpo, e sim pelo grau de desgaste da mente. 
Existe um provérbio latino que diz o seguinte: “Mens sana in corpore sano”. 
Esta é uma das maiores verdades; as outras? estou tentando aprender.

*J.L.Borges do Brasil ®  
Guaiba 2026/06

Pensamento Estoico-humanista
---
.

SEDUÇÃO


SEDUÇÃO

Não resisti àquele jeito dela,  
Me seduziu de um modo esquisito;  
Sorriso farto e olhar bonito,  
Mulher jovial, envolvente e bela.

E assim me achei em seus braços,  
Que me tocavam com tanta ternura.  
E eu, com a alma tonta por tanta procura,  
Sorri pra ela e seus belos traços.

E agora sou por completo dela,  
E ela será pra sempre minha paixão.  
Enfim, pra mim, a mulher mais bela,

A mulher que transcende o sol da ilusão,  
A iluminar mais de mil janelas  
E portas abertas desta sedução.

*J.L.Borges.do Brasil ®
2026/06

CÁRCERE TEMPORAL


CÁRCERE TEMPORAL

Saudade dos bons momentos,  
em que outrora eu vivi,  
e por amor quase morri:  
saudade dos belos tempos.

Saudade dos frescos ventos  
beijando os cabelos dela;  
em sonhos abro a janela  
e flutuo à luz do tempo.

Tempo onde estou preso,  
neste presente incerto,  
que me deixa indefeso.

Tempo de efêmera ilusão,  
erguendo um enorme deserto  
entre o sonho e a razão.

*Jorge Luis Borges.do Brasil ®
2026/06

SERÁ TU


SERÁ TU

Será tu o meu problema,
Onde te amar é o meu dilema?

Será tu meu ser confuso?  
Será tu meu eu recluso?

Eu pouco sei de nosso amor.  
Será tu a minha dor?

Eras tu o amor mais bobo,  
Eras tu meu jeito novo.

Eras assim na primavera:  
Sonhos de flores, que bom que era!

Veio o futuro, foi meu presente,  
E o amor ausente criou escuros.

Se eras tu quem mais amei,  
Será hoje tu por quem chorei?

*J.L. Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/06



quinta-feira, 11 de junho de 2026

SUCESSO

SUCESSO

Se você procurar o sucesso incessantemente e o quiser a qualquer custo, jamais o encontrará.Em seu lugar, achará a desilusão e a decepção, que o levarão a uma vida de amargura.  
Porém, se acalmar e abrandar a busca, mudando o foco para a essência do ser, o sucesso virá naturalmente.

J. Luis Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/6

FOLHA DE PAPEL


FOLHA DE PAPEL

Quando chegamos ao planeta Terra, somos uma folha de papel em branco. A vida é a escritora que redige a nossa história. Porém, o epílogo — seja bom ou ruim — só depende de nós.

*J.L.Borges.do Brasil ®
2026/06

PONTO CEGO


PONTO CEGO

Um Filósofo dava certa explicação a um dos seus alunos, coloca a alguns metros a frente a beira de um abismo um painel com a figura de um cavalo. 
Pergunta ao aluno:
–O que você vê a sua frente?
–Vejo um cavalo. Diz o aluno.
O Filósofo derruba o painel abismo abaixo, deixando a vista uma cadeia de montanhas, e pergunta novamente ao aluno:
–O quê você vê agora?
–Nada vejo. Responde o aluno.

Moral da historia:
Quando fixamos cegamente o olhar numa única figura, deixamos de ver a paisagem inteira.

*J.Luis Borges.do Brasil ®
Guaiba 2026/06


MEUS AMORES DO PASSADO


MEUS AMORES DO PASSADO 

As imagens de meus amores,  
Meus doces amores do passado,  
Estão fotografadas em minha retina,  
E memorizadas em meu coração.

Jamais as esqueço:  
Estão gravadas em mim,  
Gravadas entre fogo e flores,  
Amores que por mim passaram.

Alguns deixaram em meu peito  
Tristeza e melancolia,  
Outros, a mais plena alegria.

Mas são meus, não os esqueço.  
Se um dia os esquecer,  
De mim também esquecerei.

*J.L. Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/06

AMOR ETERNO


AMOR ETERNO

Eu estava andando em pensamentos.

Pensamentos todos em vão,  
Um por um, tenho certeza. 

E derepente me vi envolto em tua beleza, 
Senti assim com alegria a certeza,
De te amar de alma e coração. 

E assim meu doce bem nos completamos, 
Todo o dia, enfim todo o momento,
E tu me amas, eu também te amo,
Por toda a vida, todo o tempo.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/06

quinta-feira, 28 de maio de 2026

O VULTO


O VULTO 

Quando teu olhar, 
Meu olhar cruza,  
Sinto uma aflição, 
Uma dor confusa. 

Porém teu vulto, 
Como chega, embora vai,  
Deixando este perfume, 
Na noite que se esvai.

Depois que vais embora, 
Que somes na penumbra,  
Meu coração retumba, 
E geme de saudade, 
 
E eu fico aqui tristonho, 
Pois só em sonhos te toco,  
E te beijo com amor; 
Quão louca é esta vontade!

Queria em ti flutuar, 
Porém eu não consigo,  
E vivo aqui cativo, 
Distante de teus beijos. 

Tua boca outra boca toca, 
A minha? Nem pensar,  
E eu fico a sonhar;
Tu és o meu desejo.

Se assim é esta vida, 
Escassa de esperança,  
Eu vou trancar a porta, 
Deste triste coração; 
 
Morrer em vão não vale, 
Retoquei nossas lembranças,  
Transformei-as meu amor 
Em poema e canção.

*J.L.Borgesl ®

VELHAS CARTAS DE AMOR


VELHAS CARTAS DE AMOR 

As cartas de amor que te escrevi,  
São cartas de amor que não mandei;  
Hoje, no silêncio do quarto as reli,  
Confesso, meu amor, que até chorei.

E foram tantas cartas que falavam,  
Relatavam tudo aquilo que sentia;  
Letras trêmulas que confessavam  
O quanto te amava. Que ironia!

As descobri todas esquecidas num envelope,  
De sonhos de amor, rotas e mofadas,  
Me deu uma tristeza desgraçada.

Lembrei de nossos beijos,nossos toques,  
Ó senhora de minha vida e passado,  
E as desbotadas cartas reli em ais dobrados.

J.L.Borges ®
Guaiba 2026/05

MADRUGADA


MADRUGADA  

As três da manhã, a garganta rasa,  
Piso no piso, sorvo o que alivia,  
Água gelada desce em mim fria,  
E ao quarto volto, pássaro, sem asas.

Ela ressona, um fio de ouro à boca,  
Tiro devagar, não a desperto,  
Suspira e busca meu lado quieto,  
E o quarto inteiro minha paz provoca.

Quantas horas cabem num delírio?  
Quantas histórias no quarto escuro?  
Teu peito aflora, gemo e suspiro.

Eu bebo a água, ela afaga meu escuro,  
Mas sorrio ao pensar que ainda respiro   
Na presença dela, o meu futuro.

*J.L.Borges do Brasil ®

—-----------#--------------

Soneto Petrarquiano 


ENTRE O CÉU E O INFERNO


ENTRE O CÉU E O INFERNO

Eu estava a planejando te encontrar,  
E hoje beijar-te suavemente,  
Mas de repente, eu sei, de repente,  
O mundo em tempestade quis virar.

E tudo que eu planejava se perdeu,  
Na estrada da minha triste agonia,  
A tarde se transformou-se em noite fria,  
E a noite moribunda em mim morreu.

O meu céu transformou-se neste inferno,  
De saudades e longe do verão,  
E assim tornei-me eu mesmo o inverno.

E nesta fuga louca me perdi,  
Num emaranhado, teia de paixão,  
Onde só me importa é morrer por ti.

*J.L.Borges ®
Guaiba 2026/05


terça-feira, 26 de maio de 2026

VIAJANTE DAS ESTRELAS


VIAJANTE DAS ESTRELAS  

PRÓLOGO 

Às três da matina parei de bebericar meu vinho tinto e finalizei o microconto onde eu falo de homens verdinhos em naves espaciais.  
Lentamente chego ao meu quarto, me dispo parcialmente e me preparo para meu descanso merecido.  
Já deitado, as pálpebras pesam, estou quase a ressonar, quando ouço um ruído estranho no quintal.  
Pela fresta da janela uma luz fluorescente inunda o meu quarto neste quase quarto de hora, onde eu estou no meu quarto de dormir.

I. A CHEGADA

Às três quartos da terceira hora a nave desce do céu sobre a terra mansa, sem alarde algum, prepotência ou glória, a mesma hora em que eu tinha parado de beber meu vinho e encerrado a escrita de meu microconto extraterrestre. E lá fora o mundo dorme placidamente nesta noite estrelada.  
A nave pousou onde eu planto e vivo, no pátio de minha casa, no meu chão de verdes gramas, um pequeno pomar e uma horta bem cuidada, com algumas galinhas no quintal.  
Era uma nave relativamente pequena, abri a porta para o receber:  
(dois seres envoltos em um silêncio sideral, eu e o viajante espacial.)  
E na incerteza de guerra ou de paz, nos saudamos mutuamente.  
O estranho viajante foi recebido sem festejo, e sem desconfiança abri a porta, sincero na acolhida, e, erguendo o copo de vinho, fiz uma saudação cordial para quebrar o constrangimento e o gelo.  
Acabamos dando mais de mil risadas.  
(E na noite quieta, calma e estrelada, me vi de novo numa nova história, como os relatos de meus antepassados falando de deuses astronautas.)

II. A NEGOCIAÇÃO

Desceu ele a rampa sob a luz argenta da lua cheia, vindo de um distante planeta em ruínas em estranha astronave.  
Eu, erguendo o copo de vinho quase intocável, estava quase a tremer, não sei se era medo ou se era emoção.  
“Troco meu ouro de Saturno ou meu conhecimento por um pouco do seu ar, da sua água e a clorofila de suas verdes matas”, assim disse-me o estranho, com voz embargada de poeira cósmica e saudade estelar.  
O ouro de Saturno eu não quis pois os tenho aqui no meu planeta, e conhecimento nunca é demais.  
Eu, olhando a terra, comecei a refletir:  
“De que vale o conhecimento pleno se não respeitarmos o planeta azul?” Ofereço a ele o ar, a água e o verdejar das matas, porém não cedo a ele o meu chão, e nem mesmo o meu céu.  
Aqui ainda tenho um mundo pulsante e um futuro que é todo meu; eles querem a água, o ar e o verde das matas, eu os tenho ainda em meu planeta, querem silêncio das florestas, e os grandes rios, eu os tenho.  
Querem começo, eu tenho como recomeçar.  
Ele riu sem ter uma boca, na luz que o embalava.  
E assim me falou:  
“Guardaste o segredo, humano animal, fica em teu planeta, levarei um pouco de teu ar, tua água e o verde de tuas matas, e assim o nosso mundo será salvo por vocês, e o nosso conhecimento deixarei, escrito para a tua posteridade.”

III. A CONFISSÃO DELE

“Fomos deuses do passado que aqui pisaram um dia.  
Deixamos de presente a vocês a invenção da roda, a criação do fogo, e nuvens negras do conhecer tecnológico, que aos poucos foi manchando teu planeta.  
Quase roubamos o canto dos teus pássaros, até que vocês, homens, aos poucos foram assimilando o que a vocês deixamos.”  
E ele continua a sua fala sem ter boca:  
“Tem ainda neste planeta pássaros que cantam, peixes em abundância e tantos outros animais, salva-os.  
Tem rios que espelham céus e que ainda te refrescam nos dias quentes de verões, salva-os.  
Tem ainda as noites estreladas, e os dias de sol ardente, distante de explodir.”  
“Vocês, humanos animais, devem adorar e preservar este planeta, escrito e descrito em mil livros antigos.  
Ele é o verdadeiro lar de vocês, ó gente insensata.”

IV. O RITUAL

E na densa alvorada, eu e aquele pequeno ser repetimos o ritual de bebermos o silêncio em copo de vidro garrafal, aquele vinho tinto, ele bebendo sem ter boca.  
Bebemos pra lembrarmos da terra, o portal que vai direto ao infinito, Terra onde os pássaros ainda aqui gorjeiam, e os peixes em abundância ainda nadam nos rios, e os animais ainda vagam em vastas pradarias.

V. O SONHO DELE

E assim ele me diz:  
“Lá no meu planeta sonhamos com um planeta verde e de águas cristalinas, igual ao seu, em vez de nuvens negras de poluição, um mundo com muitos animais iguais aos daqui.”  
“Sonhamos com o sabiá que eu ouvi hoje aqui neste teu quintal, sonhamos com os rios mansos que batem nas barrancas, sonhamos com cachorros e gatos dormindo à luz do sol. Sonhamos com o que a gente tinha e que não mais vê.”

VI. A LIÇÃO

Há cinco mil anos eles vieram ensinar, hoje ele volta pra aprender a beber a nossa água sem medo, e aprender a dormir sem temer o fim do mundo.  
Aprender que "futuro" é saber que acordará no dia seguinte.  
A ruína do planeta deles é o nosso espelho, se a gente continuar a poluir o nosso planeta, será o nosso fim.  
Se a gente continuar a extinguir os animais, outro final, se a gente continuar a trocar nossas matas por campos de pastagens e lavouras colossais, daqui a poucos anos seremos nós a procurar outro planeta para chamar de nosso.

VII. RESSURREIÇÃO

Se nossa terra secar e o céu ficar mosqueado, se os pássaros calarem-se e o verde virar lenda, ainda terei a fala que o cosmos quer que entendamos: "Planta uma árvore onde pousa os teus pés".  
A salvação não vem até nós em naves douradas. Ela nasce do chão da consciência que a gente ainda cultiva. Energia limpa, que da terra deriva:  
sol no telhado, vento nas vidraças e pés no chão.  
Nossos planetas deverão aprender juntos a serem autossustentáveis, sem queimar o amanhã, sem jogar chumbo nas águas, sem expelir fuligem no ar, sem nuvem negra e chuva ácida, só paz do ar respirável.  
Ele levará a salvação que está aqui, nós ficamos com a lição:  
Começar a cuidar do nosso quintal para o planeta todo ser salvo, todos devemos fazer a nossa parte, e assim fecharemos o ciclo com chave de ouro: A Terra e o cosmos, um só tesouro.

EPÍLOGO - O DESPERTAR

De repente me vejo deitado em minha cama, o copo vazio de vinho descansado no criado-mudo ao lado,  
e os manuscritos de meu conto um pouco revirados.  
Será que foi real o que aconteceu comigo agora há pouco ou foi um sonho?  
O relógio dá agora a “quarta” badalada.

J.L.Borges do Brasil ®  
Guaíba, 2026/02



DEUSA ENCANTADA


DEUSA ENCANTADA  

Teu corpo é o ninho macio do beija-flor,  
Tua boca, doce açucena da mata,  
Teus beijos têm sabor o da amora,  
Teus seios são dois favos de mel.

Teus cabelos, folhas de palmeiras ao vento,  
Teu olhar, estrela guia na alvorada,  
Teu caminhar, ondas beijando a praia,  
Tua voz macia, canção do sabiá.

Tuas suaves mãos que me acariciam,  
Pétalas de flores em verdes pradarias.  
Sabes, amor, teus labios tem o perfume

De rosa selvagem no jardim dos sonhadores,  
Que ainda sentem no peito o ardente  
Pulsar de um coração apaixonado.
*
J.L.Borges.do Brasil ®
2026/05



ELES ESTÃO PARA CHEGAR


ELES ESTÃO PARA CHEGAR

Eles estiveram aqui a mais de cinco mil anos atrás, ensinaram os sumerios, os assirios, os babilônios, e até os egípcios, talves tenham até inspirados os hebreus na sua crença do deus único, e depois voltaram a seu lugar de origem, porém como qualquer viajante, sua viagem é demorada, mas eles irão voltar, serão recebidos como os antigos povos os receberam, não sei.
Mas eles voltarão. 

*J.L.Borges.do Brasil ®
2026/05

VIAJANTES

VIAJANTES 

Há cinco mil anos desceram do céu,  
E aos sumérios a escrita entregaram,  
Aos babilônios os astros explicaram,  
E aos hebreus criaram um só Deus?

Partiram depois ao seu plano sideral,  
Mas como todo viajante aventureiro,  
Prometeram voltar, agora ao mundo inteiro,  
Num ciclo de luz e paz universal.

Serão recebidos com festejos ou medo?  
Nós somos a porta de entrada,  
E o céu nos observa em silêncio e segredo...

E quando a noite estiver estrelada,  
Veremos de novo o antigo desenredo:  
Pois eles voltarão numa nova alvorada.

J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05

PÉ DE GUERRA


PÉ-DE-GUERRA

Ao amanhecer, pé por pé, 
A cobra rastejante  
Tenta dar uma rasteira, 
No rato que está rateando.

Enquanto isso ao meio dia , 
O perneta joga sua perna cibernética  
Naquele saci peralta que tentou,
Passar a perna no perneta.

Ao entardecer, nos confins sem fim, 
De um tempo adormecido, 
O pé de vento gélido e cortante  
Dá um pé na bunda daquele penetra,  
Que penetrou na virgem floresta.

E a noite, na novela das nove, 
O ceguinho percebeu cegamrnte,
Que a arma do vilão falhou, 
Por falta de bala no tambor, 
Que bate um samba nas vielas.

*

J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


ECO SURDO


ECO SURDO*

Que liberdade é essa que não percebe  
Que a voz que vem de minha cabeça  
Clamando por liberdade, é a minha voz?

Que paz é essa que não percebe  
Que a voz que vem de minha cabeça  
Implorando por paz, é a minha voz?

Que amor é esse que não percebe  
Que a voz que vem de minha cabeça  
Suplicando por amor, é a minha voz?

De nada adianta eu lutar por liberdade, paz e amor  
Se não for ouvido.
Clamar! Implorar! Suplicar!  
Se não for compreendido.

*
J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05




ÁFRICA


ÁFRICA

Olhar negro e luz difusa,  
Tempestade e dor insana;  
Trabalhar jamais recusas,  
Sete dias por semana.

Escasso riso e lágrimas ardentes,  
Que derramas na saudade,  
De teus filhos hoje ausentes,  
Muito além da eternidade.

Queria em teu solo levitar,  
Tu fazes parte de minha história;  
Quisera em mil livros te lembrar,  
Te guardar em minha memória.

África, mãe de meus instantes,  
Poeira, sangue, amor distante.
*
J.L.Borges do Brasil ®
2026/05


O MIADO DO GATO


O MIADO DO GATO 

Miados na noite  
Me deixam com frio;  
Sinto calafrios,  
Em meio a açoites. 

A vida madrasta,  
É erva daninha; 
Me sinto sozinho, 
Em escuras vidraças,   

No ruído dos prantos  
Que ferem meu peito,  
Eu perco o encanto,  
Vivo insatisfeito.

E o gato miando  
Me leva à loucura:  
Sou alguém procurando,  
Na noite, a ternura.

Mas nada encontro,  
Somente o escuro;  
Num canto, um pranto,  
Um canto imaturo.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


NEGRINHA


NEGRINHA

Tu não miava, tu conversava.  
Onde eu ia, teu passo ia atrás.  
Sombra pequena, felina e brava,  
Dormia em mim e acordava em paz.

Tinha peraltice no negro do olhar,  
Sabedoria animal, de quem não fala.  
Entendia meu silêncio sem cobrar,  
E me ensinava sem dar aula.

Dias vazios sem teus passos no chão,  
A casa aprendeu o som do vazio.  
Te levaram depressa, sem razão,  
E o mundo sombrio ficou mais frio.

Tu vieste com a água, há dois anos,  
Quando a cidade num caos virou rio.  
Não te escolhi nos meus planos:  
Tu que me escolheste, fui teu desafio.

Negrinha, cor da noite sem luar,  
Um caudal de paz e de ternura; 
Onde eu ia, tuas patas iam par em par,  
Esperta, afável, miado e travessura.

Entendia o amor que estava em mim,  
Dormia em cima do meu peito.  
Fazia peraltice, enfim...  
Me ensinava a amar sem ter defeito.

Mas a rua sem piedade te levou,  
Depressa demais,foi pouca a despedida.  
Alguém insano não soube quem atropelou:  
Mas levou com certeza um naco da minha vida.

Mas gato escolhe. E tu me escolheste.  
Na lama, no medo, no aguaceiro.  
Se *tem* céu, tu chegaste lá primeiro,  
E já deves sentir falta de meu cheiro.

Sei que gato não morre, só some.  
Vira estrela, vira vento, e mais...  
Se eu chamar em sonhos teu nome,  
Sei que tu voltas, e volta minha paz.

“Volta em meus sonhos, Negrinha.  
A porta à tua espera continua aberta.  
Aqui ainda chove, e eu sozinho,  
Sinto esta saudade cruel que hoje aperta.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05



DESESPERO


DESESPERO

Eu corro, corro, morro,  
Sem te alcançar jamais,  
Na cruz do meu socorro,  
Tua luz entre os cristais.

Eu busco, busco, busco,  
Um amor só pra mim,  
No lusco-fusco brusco,  
Te abraço e beijo enfim.

São tantos os recomeços  
Do nosso amor infindo,  
Amor que não tem preço.

Eu corro, busco e quero  
Este amor nefasto e lindo,  
O maior dos desesperos.

J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2926/05



O GRILO


O GRILO

O grilo trila de noite,  
Depois que estou deitado.  
Qual é a sua, seu grilo?  
Será que estás grilado?

Ouvi um grilo na noite,  
De um carro desgovernado.  
Será que o motor grilou,  
Ou eu que estou errado?

São tantos grilos na vida,  
Que fico estupefato.  
Um fato, comédia, lida,  
Um texto, um medo grifado.

E o grilo na noite some,  
Porém fico acordado.  
A insônia me consome,  
Louco sou,estou grilado!

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


AS GUERRAS E AS GUELRAS


AS GUERRAS E AS GUELRAS

O mais importante na vida do peixe, 
Não são as guerras que nos devastam; 
São as guelras que respiram vida.

(Enquanto brigamos, ele nada.)

Nós inventamos as guerras; 
Os peixes evoluíram suas guelras.
Qual dos dois é o mais certo, 
O homem ou o peixe?

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05



O PAVIO DA VELA


O PAVIO DA VELA

A vida é igual à luz de uma tênue vela,  
qualquer brisa, por mais suave que seja, pode apagá-la.

*J.L.Borges do Brasil ®



AFASTAMENTO


AFASTAMENTO

Quando algo ou alguém te faz mal, o melhor procedimento é o afastamento. 
O próprio Jesus fala em um trecho bíblico: “Pai, afasta de mim este cálice”.

Então para que se calar se você está, de uma maneira ou de outra, sendo judiado, massacrado, espremido, excluído, reduzido ao pó por algo ou alguém que só satisfaz a quem lhe convém, aos seus que giram ao seu redor, tal qual microplanetas?

Este afastamento que tento expressar no branco do papel está em você, está em mim. Só basta compreender. Fechar os olhos é deixar o mal te escravizar.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05

-

FININHO


FININHO

— Boa tarde, amigão. Quanto tempo, hein?
— Pois é…
— Como tá a vida, amigão?
— Se levando. E tu, tudo tranquilo?
— Tranquilo, sim. Mas mudando de saco pra mala, lembra do Seu Barriga…
— Seu Barriga? Não lembro, quem é.
— Aquele nosso faixa que no auge dos trinta chamavam de Alan Delon…
— Continuo boiando, meu chapa…
— Aquele que jogou com a gente no time do nosso bairro. Era ponta-esquerda dos bons…
— Ah, o Fininho! O que houve com ele?
— Parece que pegou dengue Tá mal.
— Coitado! Mas escuta, por que agora é chamado de Seu Barriga?
— Sei lá o porquê…

*Jorge Luis Borges ®
2026/05


DE VOLTA AO PÓ


DE VOLTA AO PÓ

Hoje acordei pensando em você,  
Senti aquela vontade de te rever;  
Aquela vontade fútil de perceber,  
Um tolo desejo, estranho e démodé.

E vi na cabeceira da minha cama fria  
Aquela nossa foto presa no passado;  
Nós dois bem juntinhos, o rosto colado,  
Era um tempo encantado, feito de magia.

Depois de um instante em que a saudade  
Quis meu peito machucar sem dó,  
Recompus-me e voltei à cruel realidade:

Estou só, e sozinho eu viverei  
Divagando até voltar ao pó,  
Mas jamais, meu amor, te esquecerei.

*J.L.Borges do Brasil ®

-

domingo, 17 de maio de 2026

O PIÃO


O PIÃO

Tem gente que é igual ao pião,  
Gira... gira, e não sai do lugar,  
Seu discurso é recheado de ideias,  
Que nem vale a pena escutar.

Falam alto prometendo o mundo,  
Mas não passa de enganação;  
Num rodopiar sem sentido,  
Acreditando ele ser a solução .

“Seu movimento é teórico”,
Afirmo com convicção,  
Cai sozinho se é largado,  
Seu giro é preso na ilusão.

Deixemos que esta gente,  
Rodopie até cansar;  
Para depois cair no marasmo,  
E se por no seu lugar.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


A FLOR DA TRANQUILIDADE


A FLOR DA TRANQUILIDADE

A vida é bem mais tranquila,  
Se não esperarmos promessas,  
O sucesso tem que ser plantado,  
Ele não cai do céu em nosso colo.

Devemos agir com prudência ,  
Para que a vida produza seus frutos;  
Não ficarmos esperando  
promessas fabulosas:  
As fábulas estão escritas em livros de ficção.

No livro da vida está  
escrita somente,  
A nossa nua realidade  
cotidiana;  
Devemos sim é ousar  
vivermos em paz,  
Cultivando a flor chamada tranquilidade.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


quinta-feira, 14 de maio de 2026

O LAGARTO E A GALINHA


O LAGARTO E A GALINHA

A dona Galinha era muito distraída. 
Certo dia esqueceu onde botou os ovos escolhidos para a nova ninhada.  
Procura e nada. 
Nervosa, começa a cacarejar loucamente. 
O Lagarto, que a procura do seu almoço, passava por ali, ouviu os cacarejos e perguntou o motivo. Ela, soluçando, explicou.  
O Lagarto, astuto, prontificou-se a procurar. 
A ingênua galinha aceitou.  
Os dois se puseram a procurar os ovos perdido.
O lagardo os achou, nada contou a galinha ,dizendo que tinha desistido, fingiu ir embora, porém ficou à espreita.  
Quando a galinha saiu, o Lagarto voltou ao ninho e devorou todos os ovos da incauta galinha.

Moral da historia 
“Confiar em quem tem fome é pedir para virar almoço “

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05

VENTOS E AÇOITES


VENTOS E AÇOITES


Serei eu um boêmio,  

Sonhador, inquieto, errante,  

Andando em caminhos, 

Utópicos, eu sozinho,

Em mar de elefantes?


Já reli mil histórias,  

Perdidas no vento,  

De meus pensamentos,  

E as minhas memórias?  

Marcaram momentos.


Hoje aqui fico escrevendo,  

E revendo os meus dias,  

Que fugiram nas noites  

De ventos e açoites,  

Em mil poesias.


*J.L.Borges do Brasil ®

Guaiba 2026/05



DESCANSO


DESCANSO

Ser humano é carregar   
Dois andares nas costas,  
O da mente e o do corpo.

Hoje os dois falam igual:  
“Descansa.  
Amanhã tem mais”.

Humano cansa.  
A mente cansa de pensar.  
O corpo cansa de seguir.

O corpo pode esperar.  
A mente pode pauar.  
O amanhecer amanhã volta. 

Hoje, vou só respirar.  
Deixar o silêncio falar alto, 
Enquanto eu descanso.

Vou desligar o celular,  
E deixar a noite fluir lá fora   
Pra quem quiser namorar.

*J.L.Borges ®
Guaiba 2026/05


VIVER E AGRADECER


VIVER E AGRADECER

Devemos aproveitar cada minuto do dia que nos foi dado para vivermos bem e, sabermos agradecer a Deus por estarmos vivos.
Saber que cada amanhecer é uma dádiva suprema.

*Jorge Luis Borges ®
2026/05

A TEIA DO TEMPO

A TEIA DO TEMPO

A teia do tempo tece horas, minutos, segundos.  
Fio a fio, ela tece silenciosamente uma vida inteira, sem pressa, sem pausa, até o último suspiro.

*J.L.Borges do Brasil ®