“ALMA DA CHUVA”
... E a chuva insistente continua,
Continua a cair lá fora;
É agora, oque faço nesta hora?
E a chuva continua bela e nua.
Nesta hora sou amigo dela,
Esta chuva que beija-me;
Aqui sozinho a olho da janela,
Nos reflexos da vidraça vejo-me.
Me pareço com a chuva que aqui cai,
Que aqui cai teimosamente;
Da minha alma não mais sai,
Ela está repousando mansamente.
Estou confuso, da chuva serei a alma?
Esta calma que ela dá é bom conforto,
Serei da chuva as gotas d’água?
Sinto esta deusa a lamber todo meu corpo,
Dando-me nesta hora imensa calma,
Imensa paz, um doce gosto.
*J.L.BORGES
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