quinta-feira, 5 de julho de 2018

ALMA DA CHUVA

“ALMA DA CHUVA”

... E a chuva insistente continua,

Continua a cair lá fora;

É agora, oque faço nesta hora?

E a chuva continua bela e nua.

Nesta hora sou amigo dela,

Esta chuva que beija-me;

Aqui sozinho a olho da janela,

Nos reflexos da vidraça vejo-me.

Me pareço com a chuva que aqui cai,

Que aqui cai teimosamente;

Da minha alma não mais sai,

Ela está repousando mansamente.

Estou confuso, da chuva serei a alma?

Esta calma que ela dá é bom conforto,

Serei da chuva as gotas d’água?

Sinto esta deusa a lamber todo meu corpo,

Dando-me nesta hora imensa calma,

Imensa paz, um doce gosto.

*J.L.BORGES


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