domingo, 24 de setembro de 2017

OS MORTOS DE NOVEMBRO

OS MORTOS DE NOVEMBRO

Fica negro o pensamento,
Torna claro o coração.

Fica mudo o esquecimento,
Morre a dor e a saudade.

Falam de coisas esquecidas,
Do tempo, vidas passadas.

Pacientemente ouvimos,
Suas vozes sem calor,

Fala o velho e a criança,
Fala o justo e o pecador.

Cansadas querem dormir,
E entram na tumba fria,

Bem longe destas maldades,
E de lá não querem sair.

Vamos chorando baixinho,
Ao longo da longa estrada.

É finados de Novembro,
Também é ressurreição;

Os mortos descansam em paz,
Pedindo nossa oração.

 *J.L.BORGES
Camaquã.1977

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