NAJA
Ela vem... ela vem chegando,
Trazendo uma rosa estampada em sua face;
Trazendo a esperança que nasce,
No meu coração.
Seu olhar... Seu olhar me alisa,
Seu corpo esguio me enfeitiça;
E na certeza desta louca cobiça,
Me atiro de cabeça nesta solidão.
Seu corpo... Seu corpo serpenteia,
Seu olhar me embriaga;
E mais uma vez minha alma naufraga,
Sou marujo, sou escravo desta sedução.
Na procura do seu beijo ferino,
Sua língua me toca;
Seu veneno me sufoca,
Meu sangue entra em ebulição.
Ela foi... Partiu de repente,
Não lembrando meus beijos, meus afagos esquecendo;
E assim... Pouco a pouco vou morrendo,
Pois a Naja levou minha ilusão.
*J.L.BORGES
1989
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