segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

NAJA

NAJA

Ela vem... ela vem chegando,

Trazendo uma rosa estampada em sua face;

Trazendo a esperança que nasce,

No meu coração.

Seu olhar... Seu olhar me alisa,

Seu corpo esguio me enfeitiça;

E na certeza desta louca cobiça,

Me atiro de cabeça nesta solidão.

Seu corpo... Seu corpo serpenteia,

Seu olhar me embriaga;

E mais uma vez minha alma naufraga,

Sou marujo, sou escravo desta sedução.

Na procura do seu beijo ferino,

Sua língua me toca;

Seu veneno me sufoca,

Meu sangue entra em ebulição.

Ela foi... Partiu de repente,

Não lembrando meus beijos, meus afagos esquecendo;

E assim... Pouco a pouco vou morrendo,

Pois a Naja levou minha ilusão.

  *J.L.BORGES
1989

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