KARMA
Eu não quero ser mais teu cachorrinho,
Não quero lamber teu corpo inteirinho;
E na hora do almoço, teu osso eu não quero ser,
Na janta, em tua garganta eu não quero caber.
Eu não quero ser mais teu caguachinho,
Vagabunda a toa, o teu espinho;
Eu nano quero ser aquilo que tu quer,
Gigolô, depravado, e na cama um homem qualquer.
Eu não quero mais teu inferninho,
Quero ser teu homem, um homem de verdade;
Já cansei de imaginar fantasias contigo,
Vou voltar a realidade e ficar bem comigo
Eu já fui teu escravo, teu capacho demais,
E agora eu quero um pouco de paz;
Na distancia ou na tua presença eu preciso ser eu,
Eu preciso de crença, pois sou um ateu.
*J.L.BORGES.1991
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