sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

KARMA

KARMA

Eu não quero ser mais teu cachorrinho,

Não quero lamber teu corpo inteirinho;

E na hora do almoço, teu osso eu não quero ser,

Na janta, em tua garganta eu não quero caber.

Eu não quero ser mais teu caguachinho,

Vagabunda a toa, o teu espinho;

Eu nano quero ser aquilo que tu quer,

Gigolô, depravado, e na cama um homem qualquer.

Eu não quero mais teu inferninho,

Quero ser teu homem, um homem de verdade;

Já cansei de imaginar fantasias contigo,

Vou voltar a realidade e ficar bem comigo

Eu já fui teu escravo, teu capacho demais,

E agora eu quero um pouco de paz;

Na distancia ou na tua presença eu preciso ser eu,

Eu preciso de crença, pois sou um ateu.

 *J.L.BORGES.1991

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