DUAS IDADES
A infância é um tempo que não passa,
A velhice é o tempo que passou;
São estradas que se cruzam no infinito,
Mas que o tempo pouco a pouco as afastou.
A infância é o brinquedo do menino,
A velhice é a labuta do futuro;
São lanternas tremulando em noites escuras,
Em companhia incansável do destino.
A infância é uma musica orquestrada,
Pelas mãos mágicas do presente;
A velhice é um violão a beira estrada,
Resmungando a sua dor em tom tangente.
A infância é a brisa do momento,
A velhice é o vento, a tempestade;
Um sol cansado num domingo a tarde,
Ah meu velho! Não te tenho a tanto tempo.
Mas talvez tu me encontres outro dia,
Numa estrada onde jamais caminhei;
E por certo a velhice será o guia,
Da infância hoje minha, eu bem sei.
*J.L.BORGES...1991
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