sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

DUAS IDADES

DUAS IDADES

A infância é um tempo que não passa,

A velhice é o tempo que passou;

São estradas que se cruzam no infinito,

Mas que o tempo pouco a pouco as afastou.

A infância é o brinquedo do menino,

A velhice é a labuta do futuro;

São lanternas tremulando em noites escuras,

Em companhia incansável do destino.

A infância é uma musica orquestrada,

Pelas mãos mágicas do presente;

A velhice é um violão a beira estrada,

Resmungando a sua dor em tom tangente.

A infância é a brisa do momento,

A velhice é o vento, a tempestade;

Um sol cansado num domingo a tarde,

Ah meu velho! Não te tenho a tanto tempo.

Mas talvez tu me encontres outro dia,

Numa estrada onde jamais caminhei;

E por certo a velhice será o guia,

Da infância hoje minha, eu bem sei.

*J.L.BORGES...1991

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