quinta-feira, 28 de maio de 2026

O VULTO


O VULTO 

Quando teu olhar, 
Meu olhar cruza,  
Sinto uma aflição, 
Uma dor confusa. 

Porém teu vulto, 
Como chega, embora vai,  
Deixando este perfume, 
Na noite que se esvai.

Depois que vais embora, 
Que somes na penumbra,  
Meu coração retumba, 
E geme de saudade, 
 
E eu fico aqui tristonho, 
Pois só em sonhos te toco,  
E te beijo com amor; 
Quão louca é esta vontade!

Queria em ti flutuar, 
Porém eu não consigo,  
E vivo aqui cativo, 
Distante de teus beijos. 

Tua boca outra boca toca, 
A minha? Nem pensar,  
E eu fico a sonhar;
Tu és o meu desejo.

Se assim é esta vida, 
Escassa de esperança,  
Eu vou trancar a porta, 
Deste triste coração; 
 
Morrer em vão não vale, 
Retoquei nossas lembranças,  
Transformei-as meu amor 
Em poema e canção.

*J.L.Borgesl ®

VELHAS CARTAS DE AMOR


VELHAS CARTAS DE AMOR 

As cartas de amor que te escrevi,  
São cartas de amor que não mandei;  
Hoje, no silêncio do quarto as reli,  
Confesso, meu amor, que até chorei.

E foram tantas cartas que falavam,  
Relatavam tudo aquilo que sentia;  
Letras trêmulas que confessavam  
O quanto te amava. Que ironia!

As descobri todas esquecidas num envelope,  
De sonhos de amor, rotas e mofadas,  
Me deu uma tristeza desgraçada.

Lembrei de nossos beijos,nossos toques,  
Ó senhora de minha vida e passado,  
E as desbotadas cartas reli em ais dobrados.

J.L.Borges ®
Guaiba 2026/05

MADRUGADA


MADRUGADA  

As três da manhã, a garganta rasa,  
Piso no piso, sorvo o que alivia,  
Água gelada desce em mim fria,  
E ao quarto volto, pássaro, sem asas.

Ela ressona, um fio de ouro à boca,  
Tiro devagar, não a desperto,  
Suspira e busca meu lado quieto,  
E o quarto inteiro minha paz provoca.

Quantas horas cabem num delírio?  
Quantas histórias no quarto escuro?  
Teu peito aflora, gemo e suspiro.

Eu bebo a água, ela afaga meu escuro,  
Mas sorrio ao pensar que ainda respiro   
Na presença dela, o meu futuro.

*J.L.Borges do Brasil ®

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Soneto Petrarquiano 


ENTRE O CÉU E O INFERNO


ENTRE O CÉU E O INFERNO

Eu estava a planejando te encontrar,  
E hoje beijar-te suavemente,  
Mas de repente, eu sei, de repente,  
O mundo em tempestade quis virar.

E tudo que eu planejava se perdeu,  
Na estrada da minha triste agonia,  
A tarde se transformou-se em noite fria,  
E a noite moribunda em mim morreu.

O meu céu transformou-se neste inferno,  
De saudades e longe do verão,  
E assim tornei-me eu mesmo o inverno.

E nesta fuga louca me perdi,  
Num emaranhado, teia de paixão,  
Onde só me importa é morrer por ti.

*J.L.Borges ®
Guaiba 2026/05


terça-feira, 26 de maio de 2026

VIAJANTE DAS ESTRELAS


VIAJANTE DAS ESTRELAS  

PRÓLOGO 

Às três da matina parei de bebericar meu vinho tinto e finalizei o microconto onde eu falo de homens verdinhos em naves espaciais.  
Lentamente chego ao meu quarto, me dispo parcialmente e me preparo para meu descanso merecido.  
Já deitado, as pálpebras pesam, estou quase a ressonar, quando ouço um ruído estranho no quintal.  
Pela fresta da janela uma luz fluorescente inunda o meu quarto neste quase quarto de hora, onde eu estou no meu quarto de dormir.

I. A CHEGADA

Às três quartos da terceira hora a nave desce do céu sobre a terra mansa, sem alarde algum, prepotência ou glória, a mesma hora em que eu tinha parado de beber meu vinho e encerrado a escrita de meu microconto extraterrestre. E lá fora o mundo dorme placidamente nesta noite estrelada.  
A nave pousou onde eu planto e vivo, no pátio de minha casa, no meu chão de verdes gramas, um pequeno pomar e uma horta bem cuidada, com algumas galinhas no quintal.  
Era uma nave relativamente pequena, abri a porta para o receber:  
(dois seres envoltos em um silêncio sideral, eu e o viajante espacial.)  
E na incerteza de guerra ou de paz, nos saudamos mutuamente.  
O estranho viajante foi recebido sem festejo, e sem desconfiança abri a porta, sincero na acolhida, e, erguendo o copo de vinho, fiz uma saudação cordial para quebrar o constrangimento e o gelo.  
Acabamos dando mais de mil risadas.  
(E na noite quieta, calma e estrelada, me vi de novo numa nova história, como os relatos de meus antepassados falando de deuses astronautas.)

II. A NEGOCIAÇÃO

Desceu ele a rampa sob a luz argenta da lua cheia, vindo de um distante planeta em ruínas em estranha astronave.  
Eu, erguendo o copo de vinho quase intocável, estava quase a tremer, não sei se era medo ou se era emoção.  
“Troco meu ouro de Saturno ou meu conhecimento por um pouco do seu ar, da sua água e a clorofila de suas verdes matas”, assim disse-me o estranho, com voz embargada de poeira cósmica e saudade estelar.  
O ouro de Saturno eu não quis pois os tenho aqui no meu planeta, e conhecimento nunca é demais.  
Eu, olhando a terra, comecei a refletir:  
“De que vale o conhecimento pleno se não respeitarmos o planeta azul?” Ofereço a ele o ar, a água e o verdejar das matas, porém não cedo a ele o meu chão, e nem mesmo o meu céu.  
Aqui ainda tenho um mundo pulsante e um futuro que é todo meu; eles querem a água, o ar e o verde das matas, eu os tenho ainda em meu planeta, querem silêncio das florestas, e os grandes rios, eu os tenho.  
Querem começo, eu tenho como recomeçar.  
Ele riu sem ter uma boca, na luz que o embalava.  
E assim me falou:  
“Guardaste o segredo, humano animal, fica em teu planeta, levarei um pouco de teu ar, tua água e o verde de tuas matas, e assim o nosso mundo será salvo por vocês, e o nosso conhecimento deixarei, escrito para a tua posteridade.”

III. A CONFISSÃO DELE

“Fomos deuses do passado que aqui pisaram um dia.  
Deixamos de presente a vocês a invenção da roda, a criação do fogo, e nuvens negras do conhecer tecnológico, que aos poucos foi manchando teu planeta.  
Quase roubamos o canto dos teus pássaros, até que vocês, homens, aos poucos foram assimilando o que a vocês deixamos.”  
E ele continua a sua fala sem ter boca:  
“Tem ainda neste planeta pássaros que cantam, peixes em abundância e tantos outros animais, salva-os.  
Tem rios que espelham céus e que ainda te refrescam nos dias quentes de verões, salva-os.  
Tem ainda as noites estreladas, e os dias de sol ardente, distante de explodir.”  
“Vocês, humanos animais, devem adorar e preservar este planeta, escrito e descrito em mil livros antigos.  
Ele é o verdadeiro lar de vocês, ó gente insensata.”

IV. O RITUAL

E na densa alvorada, eu e aquele pequeno ser repetimos o ritual de bebermos o silêncio em copo de vidro garrafal, aquele vinho tinto, ele bebendo sem ter boca.  
Bebemos pra lembrarmos da terra, o portal que vai direto ao infinito, Terra onde os pássaros ainda aqui gorjeiam, e os peixes em abundância ainda nadam nos rios, e os animais ainda vagam em vastas pradarias.

V. O SONHO DELE

E assim ele me diz:  
“Lá no meu planeta sonhamos com um planeta verde e de águas cristalinas, igual ao seu, em vez de nuvens negras de poluição, um mundo com muitos animais iguais aos daqui.”  
“Sonhamos com o sabiá que eu ouvi hoje aqui neste teu quintal, sonhamos com os rios mansos que batem nas barrancas, sonhamos com cachorros e gatos dormindo à luz do sol. Sonhamos com o que a gente tinha e que não mais vê.”

VI. A LIÇÃO

Há cinco mil anos eles vieram ensinar, hoje ele volta pra aprender a beber a nossa água sem medo, e aprender a dormir sem temer o fim do mundo.  
Aprender que "futuro" é saber que acordará no dia seguinte.  
A ruína do planeta deles é o nosso espelho, se a gente continuar a poluir o nosso planeta, será o nosso fim.  
Se a gente continuar a extinguir os animais, outro final, se a gente continuar a trocar nossas matas por campos de pastagens e lavouras colossais, daqui a poucos anos seremos nós a procurar outro planeta para chamar de nosso.

VII. RESSURREIÇÃO

Se nossa terra secar e o céu ficar mosqueado, se os pássaros calarem-se e o verde virar lenda, ainda terei a fala que o cosmos quer que entendamos: "Planta uma árvore onde pousa os teus pés".  
A salvação não vem até nós em naves douradas. Ela nasce do chão da consciência que a gente ainda cultiva. Energia limpa, que da terra deriva:  
sol no telhado, vento nas vidraças e pés no chão.  
Nossos planetas deverão aprender juntos a serem autossustentáveis, sem queimar o amanhã, sem jogar chumbo nas águas, sem expelir fuligem no ar, sem nuvem negra e chuva ácida, só paz do ar respirável.  
Ele levará a salvação que está aqui, nós ficamos com a lição:  
Começar a cuidar do nosso quintal para o planeta todo ser salvo, todos devemos fazer a nossa parte, e assim fecharemos o ciclo com chave de ouro: A Terra e o cosmos, um só tesouro.

EPÍLOGO - O DESPERTAR

De repente me vejo deitado em minha cama, o copo vazio de vinho descansado no criado-mudo ao lado,  
e os manuscritos de meu conto um pouco revirados.  
Será que foi real o que aconteceu comigo agora há pouco ou foi um sonho?  
O relógio dá agora a “quarta” badalada.

J.L.Borges do Brasil ®  
Guaíba, 2026/02



DEUSA ENCANTADA


DEUSA ENCANTADA  

Teu corpo é o ninho macio do beija-flor,  
Tua boca, doce açucena da mata,  
Teus beijos têm sabor o da amora,  
Teus seios são dois favos de mel.

Teus cabelos, folhas de palmeiras ao vento,  
Teu olhar, estrela guia na alvorada,  
Teu caminhar, ondas beijando a praia,  
Tua voz macia, canção do sabiá.

Tuas suaves mãos que me acariciam,  
Pétalas de flores em verdes pradarias.  
Sabes, amor, teus labios tem o perfume

De rosa selvagem no jardim dos sonhadores,  
Que ainda sentem no peito o ardente  
Pulsar de um coração apaixonado.
*
J.L.Borges.do Brasil ®
2026/05



ELES ESTÃO PARA CHEGAR


ELES ESTÃO PARA CHEGAR

Eles estiveram aqui a mais de cinco mil anos atrás, ensinaram os sumerios, os assirios, os babilônios, e até os egípcios, talves tenham até inspirados os hebreus na sua crença do deus único, e depois voltaram a seu lugar de origem, porém como qualquer viajante, sua viagem é demorada, mas eles irão voltar, serão recebidos como os antigos povos os receberam, não sei.
Mas eles voltarão. 

*J.L.Borges.do Brasil ®
2026/05

VIAJANTES

VIAJANTES 

Há cinco mil anos desceram do céu,  
E aos sumérios a escrita entregaram,  
Aos babilônios os astros explicaram,  
E aos hebreus criaram um só Deus?

Partiram depois ao seu plano sideral,  
Mas como todo viajante aventureiro,  
Prometeram voltar, agora ao mundo inteiro,  
Num ciclo de luz e paz universal.

Serão recebidos com festejos ou medo?  
Nós somos a porta de entrada,  
E o céu nos observa em silêncio e segredo...

E quando a noite estiver estrelada,  
Veremos de novo o antigo desenredo:  
Pois eles voltarão numa nova alvorada.

J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05

PÉ DE GUERRA


PÉ-DE-GUERRA

Ao amanhecer, pé por pé, 
A cobra rastejante  
Tenta dar uma rasteira, 
No rato que está rateando.

Enquanto isso ao meio dia , 
O perneta joga sua perna cibernética  
Naquele saci peralta que tentou,
Passar a perna no perneta.

Ao entardecer, nos confins sem fim, 
De um tempo adormecido, 
O pé de vento gélido e cortante  
Dá um pé na bunda daquele penetra,  
Que penetrou na virgem floresta.

E a noite, na novela das nove, 
O ceguinho percebeu cegamrnte,
Que a arma do vilão falhou, 
Por falta de bala no tambor, 
Que bate um samba nas vielas.

*

J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


ECO SURDO


ECO SURDO*

Que liberdade é essa que não percebe  
Que a voz que vem de minha cabeça  
Clamando por liberdade, é a minha voz?

Que paz é essa que não percebe  
Que a voz que vem de minha cabeça  
Implorando por paz, é a minha voz?

Que amor é esse que não percebe  
Que a voz que vem de minha cabeça  
Suplicando por amor, é a minha voz?

De nada adianta eu lutar por liberdade, paz e amor  
Se não for ouvido.
Clamar! Implorar! Suplicar!  
Se não for compreendido.

*
J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05




ÁFRICA


ÁFRICA

Olhar negro e luz difusa,  
Tempestade e dor insana;  
Trabalhar jamais recusas,  
Sete dias por semana.

Escasso riso e lágrimas ardentes,  
Que derramas na saudade,  
De teus filhos hoje ausentes,  
Muito além da eternidade.

Queria em teu solo levitar,  
Tu fazes parte de minha história;  
Quisera em mil livros te lembrar,  
Te guardar em minha memória.

África, mãe de meus instantes,  
Poeira, sangue, amor distante.
*
J.L.Borges do Brasil ®
2026/05


O MIADO DO GATO


O MIADO DO GATO 

Miados na noite  
Me deixam com frio;  
Sinto calafrios,  
Em meio a açoites. 

A vida madrasta,  
É erva daninha; 
Me sinto sozinho, 
Em escuras vidraças,   

No ruído dos prantos  
Que ferem meu peito,  
Eu perco o encanto,  
Vivo insatisfeito.

E o gato miando  
Me leva à loucura:  
Sou alguém procurando,  
Na noite, a ternura.

Mas nada encontro,  
Somente o escuro;  
Num canto, um pranto,  
Um canto imaturo.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


NEGRINHA


NEGRINHA

Tu não miava, tu conversava.  
Onde eu ia, teu passo ia atrás.  
Sombra pequena, felina e brava,  
Dormia em mim e acordava em paz.

Tinha peraltice no negro do olhar,  
Sabedoria animal, de quem não fala.  
Entendia meu silêncio sem cobrar,  
E me ensinava sem dar aula.

Dias vazios sem teus passos no chão,  
A casa aprendeu o som do vazio.  
Te levaram depressa, sem razão,  
E o mundo sombrio ficou mais frio.

Tu vieste com a água, há dois anos,  
Quando a cidade num caos virou rio.  
Não te escolhi nos meus planos:  
Tu que me escolheste, fui teu desafio.

Negrinha, cor da noite sem luar,  
Um caudal de paz e de ternura; 
Onde eu ia, tuas patas iam par em par,  
Esperta, afável, miado e travessura.

Entendia o amor que estava em mim,  
Dormia em cima do meu peito.  
Fazia peraltice, enfim...  
Me ensinava a amar sem ter defeito.

Mas a rua sem piedade te levou,  
Depressa demais,foi pouca a despedida.  
Alguém insano não soube quem atropelou:  
Mas levou com certeza um naco da minha vida.

Mas gato escolhe. E tu me escolheste.  
Na lama, no medo, no aguaceiro.  
Se *tem* céu, tu chegaste lá primeiro,  
E já deves sentir falta de meu cheiro.

Sei que gato não morre, só some.  
Vira estrela, vira vento, e mais...  
Se eu chamar em sonhos teu nome,  
Sei que tu voltas, e volta minha paz.

“Volta em meus sonhos, Negrinha.  
A porta à tua espera continua aberta.  
Aqui ainda chove, e eu sozinho,  
Sinto esta saudade cruel que hoje aperta.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05



DESESPERO


DESESPERO

Eu corro, corro, morro,  
Sem te alcançar jamais,  
Na cruz do meu socorro,  
Tua luz entre os cristais.

Eu busco, busco, busco,  
Um amor só pra mim,  
No lusco-fusco brusco,  
Te abraço e beijo enfim.

São tantos os recomeços  
Do nosso amor infindo,  
Amor que não tem preço.

Eu corro, busco e quero  
Este amor nefasto e lindo,  
O maior dos desesperos.

J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2926/05



O GRILO


O GRILO

O grilo trila de noite,  
Depois que estou deitado.  
Qual é a sua, seu grilo?  
Será que estás grilado?

Ouvi um grilo na noite,  
De um carro desgovernado.  
Será que o motor grilou,  
Ou eu que estou errado?

São tantos grilos na vida,  
Que fico estupefato.  
Um fato, comédia, lida,  
Um texto, um medo grifado.

E o grilo na noite some,  
Porém fico acordado.  
A insônia me consome,  
Louco sou,estou grilado!

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


AS GUERRAS E AS GUELRAS


AS GUERRAS E AS GUELRAS

O mais importante na vida do peixe, 
Não são as guerras que nos devastam; 
São as guelras que respiram vida.

(Enquanto brigamos, ele nada.)

Nós inventamos as guerras; 
Os peixes evoluíram suas guelras.
Qual dos dois é o mais certo, 
O homem ou o peixe?

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05



O PAVIO DA VELA


O PAVIO DA VELA

A vida é igual à luz de uma tênue vela,  
qualquer brisa, por mais suave que seja, pode apagá-la.

*J.L.Borges do Brasil ®



AFASTAMENTO


AFASTAMENTO

Quando algo ou alguém te faz mal, o melhor procedimento é o afastamento. 
O próprio Jesus fala em um trecho bíblico: “Pai, afasta de mim este cálice”.

Então para que se calar se você está, de uma maneira ou de outra, sendo judiado, massacrado, espremido, excluído, reduzido ao pó por algo ou alguém que só satisfaz a quem lhe convém, aos seus que giram ao seu redor, tal qual microplanetas?

Este afastamento que tento expressar no branco do papel está em você, está em mim. Só basta compreender. Fechar os olhos é deixar o mal te escravizar.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05

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FININHO


FININHO

— Boa tarde, amigão. Quanto tempo, hein?
— Pois é…
— Como tá a vida, amigão?
— Se levando. E tu, tudo tranquilo?
— Tranquilo, sim. Mas mudando de saco pra mala, lembra do Seu Barriga…
— Seu Barriga? Não lembro, quem é.
— Aquele nosso faixa que no auge dos trinta chamavam de Alan Delon…
— Continuo boiando, meu chapa…
— Aquele que jogou com a gente no time do nosso bairro. Era ponta-esquerda dos bons…
— Ah, o Fininho! O que houve com ele?
— Parece que pegou dengue Tá mal.
— Coitado! Mas escuta, por que agora é chamado de Seu Barriga?
— Sei lá o porquê…

*Jorge Luis Borges ®
2026/05


DE VOLTA AO PÓ


DE VOLTA AO PÓ

Hoje acordei pensando em você,  
Senti aquela vontade de te rever;  
Aquela vontade fútil de perceber,  
Um tolo desejo, estranho e démodé.

E vi na cabeceira da minha cama fria  
Aquela nossa foto presa no passado;  
Nós dois bem juntinhos, o rosto colado,  
Era um tempo encantado, feito de magia.

Depois de um instante em que a saudade  
Quis meu peito machucar sem dó,  
Recompus-me e voltei à cruel realidade:

Estou só, e sozinho eu viverei  
Divagando até voltar ao pó,  
Mas jamais, meu amor, te esquecerei.

*J.L.Borges do Brasil ®

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domingo, 17 de maio de 2026

O PIÃO


O PIÃO

Tem gente que é igual ao pião,  
Gira... gira, e não sai do lugar,  
Seu discurso é recheado de ideias,  
Que nem vale a pena escutar.

Falam alto prometendo o mundo,  
Mas não passa de enganação;  
Num rodopiar sem sentido,  
Acreditando ele ser a solução .

“Seu movimento é teórico”,
Afirmo com convicção,  
Cai sozinho se é largado,  
Seu giro é preso na ilusão.

Deixemos que esta gente,  
Rodopie até cansar;  
Para depois cair no marasmo,  
E se por no seu lugar.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


A FLOR DA TRANQUILIDADE


A FLOR DA TRANQUILIDADE

A vida é bem mais tranquila,  
Se não esperarmos promessas,  
O sucesso tem que ser plantado,  
Ele não cai do céu em nosso colo.

Devemos agir com prudência ,  
Para que a vida produza seus frutos;  
Não ficarmos esperando  
promessas fabulosas:  
As fábulas estão escritas em livros de ficção.

No livro da vida está  
escrita somente,  
A nossa nua realidade  
cotidiana;  
Devemos sim é ousar  
vivermos em paz,  
Cultivando a flor chamada tranquilidade.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


quinta-feira, 14 de maio de 2026

O LAGARTO E A GALINHA


O LAGARTO E A GALINHA

A dona Galinha era muito distraída. 
Certo dia esqueceu onde botou os ovos escolhidos para a nova ninhada.  
Procura e nada. 
Nervosa, começa a cacarejar loucamente. 
O Lagarto, que a procura do seu almoço, passava por ali, ouviu os cacarejos e perguntou o motivo. Ela, soluçando, explicou.  
O Lagarto, astuto, prontificou-se a procurar. 
A ingênua galinha aceitou.  
Os dois se puseram a procurar os ovos perdido.
O lagardo os achou, nada contou a galinha ,dizendo que tinha desistido, fingiu ir embora, porém ficou à espreita.  
Quando a galinha saiu, o Lagarto voltou ao ninho e devorou todos os ovos da incauta galinha.

Moral da historia 
“Confiar em quem tem fome é pedir para virar almoço “

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05

VENTOS E AÇOITES


VENTOS E AÇOITES


Serei eu um boêmio,  

Sonhador, inquieto, errante,  

Andando em caminhos, 

Utópicos, eu sozinho,

Em mar de elefantes?


Já reli mil histórias,  

Perdidas no vento,  

De meus pensamentos,  

E as minhas memórias?  

Marcaram momentos.


Hoje aqui fico escrevendo,  

E revendo os meus dias,  

Que fugiram nas noites  

De ventos e açoites,  

Em mil poesias.


*J.L.Borges do Brasil ®

Guaiba 2026/05



DESCANSO


DESCANSO

Ser humano é carregar   
Dois andares nas costas,  
O da mente e o do corpo.

Hoje os dois falam igual:  
“Descansa.  
Amanhã tem mais”.

Humano cansa.  
A mente cansa de pensar.  
O corpo cansa de seguir.

O corpo pode esperar.  
A mente pode pauar.  
O amanhecer amanhã volta. 

Hoje, vou só respirar.  
Deixar o silêncio falar alto, 
Enquanto eu descanso.

Vou desligar o celular,  
E deixar a noite fluir lá fora   
Pra quem quiser namorar.

*J.L.Borges ®
Guaiba 2026/05


VIVER E AGRADECER


VIVER E AGRADECER

Devemos aproveitar cada minuto do dia que nos foi dado para vivermos bem e, sabermos agradecer a Deus por estarmos vivos.
Saber que cada amanhecer é uma dádiva suprema.

*Jorge Luis Borges ®
2026/05

A TEIA DO TEMPO

A TEIA DO TEMPO

A teia do tempo tece horas, minutos, segundos.  
Fio a fio, ela tece silenciosamente uma vida inteira, sem pressa, sem pausa, até o último suspiro.

*J.L.Borges do Brasil ®

terça-feira, 12 de maio de 2026

O LEME CEGO


O LEME CEGO

O extremismo não recruta gente má.  
Recruta gente boa que crê no extremo.  
E dá pra ela a certeza de estar certa.

Vem a lavagem, meticulosa, gota a gota.  
A racionalidade apaga.  
O olhar cega pra tudo que não seja a causa.

Cega, ela assume o leme.  
De um navio grande, desgovernado.  
Chamado poder cego.

Não é maldade que guia o naufrágio.  
É convicção.  
E por isso o estrago é inevitável.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05




AS BOAS IDEIAS

AS BOAS IDEIAS

É na quietude da noite,
Que as boas ideias florescem.  
De dia, o mundo grita.  
De noite, ele cala.

E é no silêncio noturno  
que o combustível acende   
E move as boas ideias,  
e o pensamento vira realização.

A boa ideia não nasce no barulho. 
Ela nasce no vazio da noite  
e preenche a nossa imaginação.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


A LÍNGUA

A LÍNGUA

A língua é o órgão mais perigoso do corpo humano.  
O que ela ergue em um ano, derruba em um minuto.  
A paz que ela levou décadas para conseguir, vira guerra em poucas horas.  
Fala de fraternidade e ódio, fidelidade e traição ao mesmo tempo.  
É capaz de decantar o amor em prosa e verso e ao mesmo tempo disparar flechas com o veneno da dúvida.  
Este é o poder da língua, cabe a você escolher como usar.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


O LADO EXTREMO DO PODER


O LADO EXTREMO DO PODER

O extremismo não recruta pessoas más para o representar, recruta pessoas que acreditam no sistema.
Estas pessoas depois de uma meticulosa lavagem cerebral tornam-se cegas perante a racionalidade e acabam perigosamente assumindo o leme de um grande navio descontrolado, chamado de poder cego.
O lado cego do extremismo pega gente decente, convence que a causa é justa, e transforma virtude em combustível para fomentar o fanatismo. 
O recrutado não vira mau, vira cego, e acha que está salvando o mundo, a racionalidade vai sendo corroída até ele não enxergar contradição. 
Iludido ele assume o leme achando que está no rumo certo, ledo engano, está é sem bússola e mapa, sem enxerga porto algum algum para poder atracar.
Esta pessoa acredita no pensamento extremista, achando estar fazendo a coisa certa, assim ela acaba sendo uma pessoa perigosa, ela não tem freio de culpa. 
O extremismo corrompe pelo convencimento, não pela maldade, e quando convence, o desastre é inevitável .

*Jorge Luis Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05

A CASCA DO OVO


A CASCA DO OVO 

Sigamos o exemplo do pinto que rompe sua casca para o mundo; ficarmos trancados dentro de nós é a escravidão do desconhecimento.  
Permanecer na casca é isolar-se de tudo, é fugir da realidade.  
Existe um mundo à nossa espera, depende só de nós esta grande aventura.  
Romper a casca liberta, permanecer nela escraviza. ousar é a chave.

*J.L.Borges do Brasil ®
Guaiba 2026/05


sábado, 2 de maio de 2026

EU, SENHOR DE MIM



EU, SENHOR DE MIM

“Nós somos escravos de nossos desejos e fantasias, e senhores de nossos sonhos, e emoções. 
Viver escravo não é um bom viver, viver bem é ser senhor de si mesmo”

O desejo e a fantasia são cavalos indomáveis e rebeldes, se a gente os monta, eles nos levam por lugares desconhecidos a nós.  
Os nossos sonhos e emoções são os únicos reinos onde a gente governa. 
Lá o báculo é nosso, a escada não é algo que nos amedronta e podemos subir sem ter medo de lá no alto encontrar algo bisonho.

Ser senhor de si não é não sentir vergonha, é sentir orgulho e saber ainda que escolher pra onde vai o leme é a melhor das escolhas, não uma obrigação.
O escravo passará o resto de sua existência futil obedecendo, enquanto que o senhor de si decide qual o melhor rumo seguir.

*J.L.Borges.do Brasil ®  
Guaíba,04/2026 

BOA VIDA SEM AMAR

BOA VIDA SEM AMAR 

Nas minhas loucuras de um apaixonado,  
Vaguei alucinado pelas ruas da ilusão;  
Um beijo molhado, suspiros de paixão,  
Um sutil olhar, cativo e embriagado.

Foi aí que caminhei caminhos sem volta,  
Quando me apaixonei por alguém errado,  
Que nada me entregou e me deixou de lado,  
Mostrando que a paixão é dor, e isso revolta.

Eu agora estou menos apaixonado,  
Pois sei que não vale a pena  
Enfim me estressar.

Pra que então em vão me apaixonar,  
Se a vida é mais amena,  
Eu não estando enamorado.

*J.L.Borges.do Brasil ® 
Guaíba, abril de 2026

A MOÇA DE MOÇAMBIQUE

A MOÇA DE MOÇAMBIQUE  

A linda deusa da Beira,  
Na beira do coração;  
Onde o sonho faz morada  
E reacende a paixão.

A linda deusa da Beira,  
A moça de Moçambique;  
É namorada do mar,  
E eu? Sou navio a pique.

E por ela apaixonado,  
Procuro a luz de um farol  
Para ser meu porto seguro.

…E vem ela com o sol!  
Naquele jeito encantado,  
Pra iluminar meu futuro.

*J.L.Borges.do Brasil ®
Guaíba, abril de 2026