MADRUGADA
As três da manhã, a garganta rasa,
Piso no piso, sorvo o que alivia,
Água gelada desce em mim fria,
E ao quarto volto, pássaro, sem asas.
Ela ressona, um fio de ouro à boca,
Tiro devagar, não a desperto,
Suspira e busca meu lado quieto,
E o quarto inteiro minha paz provoca.
Quantas horas cabem num delírio?
Quantas histórias no quarto escuro?
Teu peito aflora, gemo e suspiro.
Eu bebo a água, ela afaga meu escuro,
Mas sorrio ao pensar que ainda respiro
Na presença dela, o meu futuro.
*J.L.Borges do Brasil ®
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Soneto Petrarquiano
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