quinta-feira, 28 de maio de 2026

MADRUGADA


MADRUGADA  

As três da manhã, a garganta rasa,  
Piso no piso, sorvo o que alivia,  
Água gelada desce em mim fria,  
E ao quarto volto, pássaro, sem asas.

Ela ressona, um fio de ouro à boca,  
Tiro devagar, não a desperto,  
Suspira e busca meu lado quieto,  
E o quarto inteiro minha paz provoca.

Quantas horas cabem num delírio?  
Quantas histórias no quarto escuro?  
Teu peito aflora, gemo e suspiro.

Eu bebo a água, ela afaga meu escuro,  
Mas sorrio ao pensar que ainda respiro   
Na presença dela, o meu futuro.

*J.L.Borges do Brasil ®

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Soneto Petrarquiano 


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