O VULTO
Quando teu olhar,
Meu olhar cruza,
Sinto uma aflição,
Uma dor confusa.
Porém teu vulto,
Como chega, embora vai,
Deixando este perfume,
Na noite que se esvai.
Depois que vais embora,
Que somes na penumbra,
Meu coração retumba,
E geme de saudade,
E eu fico aqui tristonho,
Pois só em sonhos te toco,
E te beijo com amor;
Quão louca é esta vontade!
Queria em ti flutuar,
Porém eu não consigo,
E vivo aqui cativo,
Distante de teus beijos.
Tua boca outra boca toca,
A minha? Nem pensar,
E eu fico a sonhar;
Tu és o meu desejo.
Se assim é esta vida,
Escassa de esperança,
Eu vou trancar a porta,
Deste triste coração;
Morrer em vão não vale,
Retoquei nossas lembranças,
Transformei-as meu amor
Em poema e canção.
*J.L.Borgesl ®
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