terça-feira, 30 de janeiro de 2024

CONHEÇA A TI MESMO

CONHEÇA A TI MESMO


Um jovem discipulo perguntou ao velho mestre:

-Conheces tudo sobre o mundo e sobre a vida?

E o velho mestre respondeu:

-Eu só conheço a profundeza da minha ignorância.

O discípulo ficou instantes sem nada falar,

Depois falou ao mestre:

-desculpe a minha ignorância, pois nada entendi”

O mestre pacientemente lhe fala:

-Foi isso que tentei te explicar,conhecer as profundezas da nossa ignorancia já é um grande passo para adquirir o conhecimento e cativar a sabedoria.


*Jorge Luis Borges 



OS LOUCOS

OS LOUCOS


Todos que se dissermos serem loucos,

São os mais sãos de mente,

E os que se fazem certo,

Estes mentem;

Pois este loucos são, 

Enquanto os sãos são os loucos.


Eu vivo assim esta doce loucura, 

Que atravessa meu dia a dia 

Em ritmo de aventura,

Ou de ternura talves;

É ela que me faz viver 

Ao evidenciar este dia a dia,

E assim eu pincelo esta alegria 

Sem a pressa de morrer, só de viver…


*Jorge Luis Borges 


A PENSÃO DA TAPIAÇÚ

   A PENSÃO DA TAPIAÇÚ 


   Lembro bem da pensão da Tapiaçú onde a proprietária chamava-se Dna Nádir Borges, passei bons momentos por lá em 1978  e depois 1980 , trabalhava perto da pensão, na casa Pandolfo por duas oportunidases, firma esta que me presenteou com bons colegas e excelentes patrões o Sr Balduino e seus filhos.

   Voltando a lembrança da pensão, lá  me eram servidas três refeições diárias, eu tinha bastante camaradas por lá e um amigo que no futuro acabei comprando dele o prédio onde moro aqui em Guaíba desde 1998, este amigo chana-se Ricardo Caldas, embora pouco nos vemos ele tem um lugar especial no meu coração.

   Naquela época eu ia muito no Star Club na Assis Brasil,sempre na cata de namoradas como era normal para a idade, as vezes tinha sucesso outras vezes não,e quando a minha cata a namoradas era sem sucesso,como consolação eu  ia no Arco da velha ali próximo tomar a canja da madrugada e ir solitário de volta a pensão. 

   Belos tempos estes embora vividos com bastante dificuldades.


   *Jorge Luis Borges

   


A ETERNIDADE

A ETERNIDADE


A velhice será  realmente uma doença?

Se assim for ela pode ser curada;

E a eternidade estará em nós,

Em sua plenitude eterna.


Quem sabe um dia o homem, 

Consiga fazer um tramplante de mente,  

Este ato será a semente da eternidade,

E enfim conheceremos Deus.


Porém jamais o homem poderá  

Fazer um transplante de alma,

Porquê  sei que este ato 

Acabaria com a eternidade.


*Jorge Luis Borges 

 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

A CHEGADA DE JORGE NA CAPITAL



   A CHEGADA DE JORGE NA CAPITAL


   …Então Jorge resolveu ir pra cidade grande.

   Achava tudo monótono na sua cidadezinhado do interior,  sem futuro dizia ele.

   Conversou com os amigos, com a sua avó, com seu vizinhos, e até com sua namorada.

   Tentaram faze-lo desistir desta idéia maluca, diziam ele; mas de nada adiantou, ele resoluto firmou sua decisão aventureira de sair de sua cidade e ir para a capital.

   Seus amigos resolveram pedir para a sua avó tentar faze-lo mudar de ideia, mas ele já estava decidido. 

    E assim seus amigos viram na rodoviária ele pegar o ônibus da empresa Frederes e partir…era final de 1977.

   O ônibus chega na rodoviária de Porto Alegre, ja era começo  de noite, uma noite agradável de primavera.

   Jorge desce do ônibus e sai ligeiro, pega sua mala com poucos pertences, mas cheia de esperança e sonhos, e segue rumo ao lugar combinado por seus parentes,uma loja de calçados de sua mãe na galeria central.

   Entra na avenida Voluntários da Pátria  que surpresa ! Olha os edifícios iluminados por lâmpadas fluorescentes, bem mais alto que os prédios da sua terra.

   Ouve atordoado o ruído ensurdecedor dos automóveis (poucos em sua cidade) mas um montão na cidade grande, veículos estes em seu incansável vai e vem pelas avenidas.

   Vê o movimento incessante das pessoas frenéticas pelas calçadas nuas e escassas de arvores e flores.

   Seus olhos ofuscam-se com a confusão de luzes e cores que o deixam atordoado.

   Treme de medo e duvidas.

   Olha ao alto, cadê as estrelas?

   O céu está cinzento, parece chuva, parece nuvens, ou talvez poeira. 

   Mas poeira de que? Ele só vê concreto naquele lugar esquisito. 

   Olha novamente, cadê a lua prateada que todas as madrugadas olhava para ele?

   Cadê as arvores? 

   Cadê os passarinhos?     

   Cadê o lugar  encantado que ele sonhava encontrar na tal de cidade?

   Nisso lembra um conselho de sua avó antes dele partir, e então pega os poucos trocados que tem e os guarda no bolso interno de sua calça e uma nota de 500 cruzeiros deixa jo bolso traseiro da calça. 

   E segue pela avenida confuso e extasiado pelo movimento pulsante da grande cidade.

   Nisso uma bela moça chega até ele e despudoramente faz carinhos obscenos no jovem rapaz.

   E derepente, assim como chegou a ele ,ela vai embora; ele a olha sumir ao longo da avenida Voluntários.

   Volta tenuanente a sua realidade,num impulso apalpa seu bolso e para sua surpresa cadê os 500 cruzeiros?

   Coitado do Jorge, confuso e pateta na cidade grande.                                                                                   


   *J.L.BORGES

   

 



quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

SOLIDÁRIOS SOLITÁRIOS

   SOLIDÁRIOS SOLITÁRIOS 


   Eu percebo ao longo de minha existência que todo o final de ano é a mesma coisa, todos repetem um antigo refrão de saúde  paz,felicidade,etc,etc.

   São tantos e tantos reunidos que até fico espantado, pois geralmente é apenas naqueles momentos de passagem, e depois das comemorações finalizadas eles tiram as suas máscaras e retornam ao seu cotidiano diário e seguem aquele caminho que a tanto tempo percorrem, solitários, as vezes cercados de pessoas em seus caminhos, mas sempre solitários. 

   Um bom exemplo sou eu,que vivo esta minha boa existência solitário. 

   Meus natais e ano novo, por exemplo, em Camaquã geralmente eram a dois ou no máximo a três, passava-os na minha infância com minha saudosa mãe de criação , e minha vó natural; isso é o que me vem a lembrança, pois meu pai de criação, e meu avô natural há tempos tinha partido. 

   Depois veio a adolescência e a mesma rotina de fins de ano com minha mãe avó e aos poucos começando a ir a algumas festas, como era o natural da idade.

   Após este tempo fui para Porto Alegre, lá morava em pensões ,embora meu pai e minha mãe morassem na capital,um em cada endereço logicamente, mas pouco nos procurávamos.

   Nas pensões eu morava com muita gente, porém quando o fim de ano chegava era uma debandada geral, e lá ficava eu solitário, as vezes com um ou dois rapazes para solidariamente irmos a algum réveillon de segunda categoria. 

   Com o passar do tempo arrumei um casório, trocando por muidos; casei , e estamos até hoje juntos, mas solidários na solidão  a dois, pois geralmente sempre passamos os natais e anos novos somente nós dois, e como sempre digo a ela com Deus ao nosso lado.

   Porém eu vou ressaltar, esta situação de eu ser um ser solitário não me apoquenta nem um pouco, pelo contrário eu a curto muito  pois esquenta minha alma e coraçao, pois sou um pássaro solitário por natureza, sempre em busca da contemplação, e quiçá;na busca do nirvana supremo, por que não. 

  Assim eu posso afirmas; se por acaso houver uma ruptura nesta minha boa rotina, certamente bem não me fará pois me considero um solidário solitário. 


   *Jorge Luis Borges 

   

   


OS MENTIROSOS


OS MENTIROSOS


O sujeito que mente aos outros 

E um pobre ser que deve ser evitado.

O sujeito que a si mesmo é mente 

Este meu caro amigo,  

É um pobre coitado e deve ser tratado urgentemente.  

Aquele mentiroso contumaz 

Ele mente a revelia, 

Esta sempre mentindo 

Quer de noite quer de dia.

O infeliz come,regosiita e vomita a sua própria  mentira,

E da natureza dele mentir atoa.

Mas aquele que mente a si mesmo,

Está provando do seu próprio veneno interior,

Pobre estopor, vivendo da sua louca doença. 


*J.L.Borges