UM PEIXE FORA D'ÁGUA
Me sinto um peixe fora d'água,
quando a solidão chega em mim,
em um turbilhão de vozes
que nada dizem, enfim.
Daí eu saio de mansinho
e me recolho na distância;
talvez observar e meditar,
senão fico preso nas lembranças.
Um sonho anelado que se vai,
igual estas nuvens mutantes,
sugerindo que minha primavera
não é mais aquela como antes.
Saí... Ninguém sentiu a minha falta,
quero esquecer esta minha sede,
serei eu um peixe fora d'água,
ou eles os peixes em minha rede?
*J.L. Borges do Brasil ®
P. Alegre — 2026/09
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