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segunda-feira, 4 de junho de 2018

ENTRE BELEM E MACAPÁ

ENTRE O BELEM E MACAPÁ

Águas que fecundam vida,

Arvores que retocam o verde;

Ver-te que te quero verde,

Assim amor, toda vestida.

Onde estrelas repousam,

E o gado sonha pastagens;

Bem ali, naquela esquina,

Onde o amor pede passagem.

Lá longe o gato do mato,

Ao guará espia e treme;

Geme de amor o mulato,

Sonhando contigo Irene.

E o mboi tatá vai embora,

Não tarda vem tempestade;

Vem cá amor, já é tarde,

Não tarda e a tarde chora.

     *J.L.BORGES

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

HIENAS

HIENAS

A fome que ronda,

E bate em tua porta;

É a mesma que transforma,

Em bandido o amanhã.

Pedaços de madeira,

São transformados em armas;

Nesta lavoura doidivana e estéril,

Que o passado nos legou.

Somente sonhos podres,

Fecundam nesta lavoura;

A onde a vontade,

Jamais combate a fome.

É tanto desespero,

É tanto desemprego;

Que até as criancinhas

Já não sorriem mais.

O jovem aborrecido,

E o velho carrancudo;

Caminham lado a lado,

Com o mesmo anseio e sonho.

Eu sei que esta crise,

Esta hiena do passado;

Será hoje saudade,

E amanhã também.

                               *J.L.BORGES

TU SEI LA MIA VITA

Tu sei la mia vita

Proprio come la brezza bacia il campo

Mi baci;

E le stelle delle tue labbra

Mi toccano.

Sei un mare di onde,

Accarezzare la spiaggia;

Questa spiaggia che è il mio corpo,

Questo ti chiede.

Nel cielo azzurro ti vedo,

Come una nuvola bianca;

Questi sono i miei sogni d'amore,

Arrivo qui

Ti adoro come vita,

Ama il sole;

Questo sole ardente

Cosa mi rende caldo sei tu?

* J.L.BORGES

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

CORES

CORES

Luz que resplandece em brancos montes,

Na solidão azul dos verdes mares;

Vem suave a repintar luares,

És o cristal a musicar em tantas fontes.

E tu consegues fazer dia a negra noite,

A onde a tempestade de ilusão invade;

O viajante, e nos provoca açoites,

Naquele fim de dia, naquela tarde.

  *J.L.BORGES

ATÉ AMANHÃ

ATÉ AMANHÃ

Até a amanhã, quando amor,

Da viagem eu voltar;

E outra vez,

Te encontrar no portão,

Esperando por mim.

É assim meu amor , é assim,

A saudade devora,

Vou partir;

Vou deixar-te agora,

Vou me ir, para outro lugar.

Vou chorando,

E meu coração vai sofrendo,

Amanhã voltarei,

E correndo,

No portão,

Outra vez te abraçar.

 *J.L.BORGES

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

NOITE DE NATAL NO OCIDENTE

Caem neves de isopor,
E algodão,
Na relva sintética,
Do verde prado,
Enquanto o pastor,
Tomando trago,
Dedilha um ergométrico
E choroso fado,
No violão.

Na noite fresca,
A estrela guia,
Espia do alto,
Da arvore esquia,
A luz suprema da anunciação.
E lá no prado,
O choroso fado,
Ainda insiste
No violão.

*J.L.BORGES
Guaiba.1999