quinta-feira, 6 de agosto de 2026

A HARMONIA DO CAOS


A HARMONIA DO CAOS  
ORAÇÃO DE UM PANTEÍSTA 

*I. O INÍCIO*
No início era o caos apenas...  
Um universo inteiro menor que o átomo,  
E numa fração de segundos a expansão;  
Em sua expansão a criação de galáxias,  
A criação de estrelas, planetas,  
E todo o tipo de corpos celestes.  
Na forma de um corpo uno.

Das trevas, fez-se luz;  
A essência de Deus,  
No magma da terra.  
O início de tudo.

Assim fez-se vida,  
Em forma do fogo;  
O fogo que dá vida,  
E gera fartura.  
O mesmo fogo  
Que arrasa o insensato;  
Destrói cidades,  
E cozinha o alimento.

Águas abençoaram a terra,  
A terra beijou a cruz.  
E o verbo se fez carne.  
Os rios que saem do berço  
E inundam os campos de sonhos,  
Que verdejam meu coração.

Surgiu assim no azul distante,  
Os lumes no firmamento;  
Do seio da terra a vida,  
A vida? Sopro do vento.  
A vida fluindo aos poucos,  
Nos rios... nos lagos... planícies;  
A paz brilhando nos olhos,  
Tanta inocência e meiguice.

*II. A VIAGEM*
Nossa permanência no planeta terra  
É apenas por breves instantes,  
É apenas uma rápida passagem;  
Devemos prosseguir nossa viagem,  
Na busca de um mundo ideal.

Existe uma porta encantada  
Que nos leva a outro lado;  
Um lado ainda desconhecido,  
Onde somente em sonhos alcançamos.

Esta porta não é um labirinto,  
Pois nos leva a várias moradas;  
Além da porta há uma estrada  
Nos mostrando verdes campos.

Além destes campos encontraremos  
Bosques... Vales... E riachos;  
Tantas montanhas e nuvens  
Onde o vento beija o céu.

Além destas montanhas vislumbramos  
Escarpas... Lagos, tantas praias;  
Um calmo oceano e ilhas  
Onde a paz permanece em paz.

Além deste mar vemos outras portas  
Que nos levam ao infinito;  
Para prosseguirmos nesta viagem  
Basta abrirmos estas portas.

*III. O QUE É DEUS*
Deus é o início… o meio… o fim,  
Sim, Deus é uma fórmula que intriga a ciência, pois é a essência  
Que emana da própria vida.

Meu Deus, teu Deus não é o Deus que as nações criaram ao longo da história em benefício próprio. O nosso Deus está dentro de nosso coração.

Deus real é a natureza,  
A natureza real é Deus;  
Eu fui criado por ela,  
Sim, a natureza sou eu.

Deus é bem maior que Sírius,  
Menor que o átomo é Deus.  
Deus é o misterioso universo  
Dentro deste olhar tão meu.

Deus é a luz que vem dos astros;  
Deus são as ondas do mar.  
Deus tem força e poder infinito,  
E, no entanto, posso O tocar.

Deus é a força motriz,  
Que rege o universo;  
E nós somos feitos  
Da energia d'Ele.

*IV. COMO DEUS SE MOSTRA*
Deus é o perfume de todas as flores,  
A água de todas as fontes;  
A seiva de todas as árvores,  
A terra de todos os montes.

Deus é a penumbra de todas as tardes,  
A luz de todos os olhares;  
A chama de todos os fogos,  
Os sais de todos os mares.

Deus é o beijo de todos os lábios,  
O sangue de todos os corpos;  
O átomo de toda a matéria,  
A calma de todo o conforto.

Eu vejo Deus no sal das águas,  
E nas areias que beijam o mar;  
Tento ser simples no que eu faço,  
Na solidão Deus é meu lar.

Eu vejo Deus aqui próximo,  
No poder das tempestades;  
Que faz o mar inundar-me,  
Com açoites que rasgam o peito.

Ouço a grandeza de Deus  
Nos estrondos dos trovões;  
No vento a soprar canções,  
Que não consigo entoar.

Vejo a grandeza de Deus  
Nos raios riscando o céu;  
E na chuva golpeando a terra,  
Onde caminho deserto.  
As nuvens que cobrem a terra  
Parecem mantos de Deus.

*V. DEUS NATUREZA*
Os vegetais da superfície e das profundezas  
São importantes pontos de luzes;  
Estáticos, mas essenciais,  
No universo espiritual.

Eu vejo a paz de Deus  
Na árvore paciente;  
No íntimo da semente  
Que germina na terra.

Na voz muda dos peixes,  
Na atitude indecifrável dos animais,  
No canto dos pássaros e insetos.

Percebo Deus no aperto de mão,  
No sorriso do estranho viajante;  
Na lágrima daquele que sofre,  
Na esperança que cerca o menino.  
No riso da criança.

*VI. A PRESENÇA DE DEUS*
Deus está sempre presente,  
Além de minha imaginação,  
E assim eu posso encontrá-Lo  
Dentro de meu coração.

Em sonhos não quero Deus,  
Quero-O aqui e agora;  
A vida é muito pequena  
Pra devorarmos as horas.

É impossível, irrealizável  
Fotografar o destino;  
Mas Deus, eu sei, é a certeza  
Da janela para o divino.

Alguns procuram Deus nas igrejas, nos templos e nas catedrais,  
Sem perceberem, oh! tolas criaturas, que é na calmaria dos ventos que encontramos a sua paz.

*VII. A VOZ DE DEUS*
A voz de Deus a ouvimos na imensidão e na profundeza de nossa alma,  
É Ele que alimenta a nossa vida com o doce sabor de sua calma.

Sua voz eu escuto:  
Na profundeza dos mares...  
No mais alto das montanhas...  
Na imensidão dos desertos...  
Na efervescência das cidades.

Deus está mais próximo de nós que nosso próprio coração,  
Não devemos então ficarmos procurando Deus aí afora;  
Pois é na hora da solidão que o percebemos tão próximo assim de nós.

Onde meus pensamentos conseguem chegar,  
Lá Deus está me esperando;  
Além de Andrômeda, muito além,  
Mas logo aqui no meu coração.

Quando você quiser conversar com Deus  
Vai lá num cantinho do seu coração;  
E lá que você encontrará a harmonia  
E aquela paz que emana do Senhor.

Quando você quiser encontrar com Deus  
Esqueça os templos e as catedrais;  
Aquele momento da boa paz, irmão,  
Você encontra em seu silêncio interno.

Escute a voz deste bom silêncio  
Que entrará de mansinho em seu coração,  
É lá, irmão, que entrará seu Deus  
E em comunhão conversará com Ele.

*VIII. A NOSSA MORADA*
Deus é o abrigo onde adormeço,  
É a estrada onde caminho;  
Deus é a fonte, o bom começo,  
Minha ponte, o doce ninho.

Deus caminha comigo  
Nas ruas movimentadas das grandes cidades,  
Nas ruas desertas dos vilarejos,  
No silêncio dos desertos.

Deus não é o eu abstrato,  
É o tudo imaginável.  
É o aqui e agora,  
A certeza do palpável.

Sendo energia,  
A força que rege o universo;  
Toda a criatura  
É a imagem do próprio Deus.

*IX. O TODO*
Quer seja pedra, quer seja água,  
Quer seja fogo, quer seja vento;  
Quer seja luz, quer seja carne,  
Tudo faz parte deste universo a nosso redor que é meu Deus.

Eu sou mais eu,  
E as somas desses meus eus  
Tornam-me um eu inteiro.

Eu vejo esta vertente,  
E esta vertente é Deus;  
O vejo na inocência  
Perdida em tantos eus.

Deus em mim não morre nunca,  
Sou então ser universal;  
Neste ciclo de existência  
Onde Deus é natural.

Deus é o ciclo sem excesso,  
Na transitoriedade temporal;  
Desde o pó até os astros  
Somos partes deste astral.

Do nada absoluto ao início,  
Do precipício a placidez;  
Do vácuo ao som,  
Da estagnação a fluidez.

Do caos a harmonia,  
Da intolerância a tolerância;  
Da água ao fogo,  
Da miséria a abundância.

A lanterna que ilumina  
As noites escassas de esperança;  
Onde o inverno não mais abomina  
E a neve fria é só lembrança.

Tu és o farol a mostrar portos  
Nas noites longas de tempestades;  
Onde a fé virgem vem e invade  
Igual brisa leve que dá conforto.

Tu és o sol dos belos dias  
Nos anunciando faustos versos;  
Onde o inverno é nostalgia  
Sonhos de luzes nos corações.

Tu és a luz do universo  
Nestes meus versos que faço agora;  
Sou criatura que crê e implora  
Sempre à espera de teu regresso.

Tua luz ardente beija lavouras  
E cadencia longos mares;  
És brasa acesa na vida boa  
Onde a certeza é nossa fé.

*X. AÇÃO*
Orações vazias não nos libertam.  
São apenas paliativo emocional.  
E todo paliativo repetitivo perde a eficácia.

Não precisamos de oração  
para mudar as leis do mundo.  
Precisamos da ação do entendimento  
para compreender Deus como um todo.

Se o universo vai virar cinza e frio  
Que eu seja a brasa que ficou na mão.

Se tudo é caos, silêncio e vazio  
Que eu seja o eco dentro do coração.

Deus não nos dá amor como recompensa.  
Amar a Deus como um todo já é a recompensa.  
O sagrado não é pedir.  
É d'Ele fazer parte.

Precisamos de boas ações  
para entender o mundo.  
Elas, conjugadas ao conhecimento,  
geram liberdade.  
Liberdade do ser. Liberdade do crer.

*XI. A FONTE*
O homem ilumina  
Deus é a luz eterna.

O homem sacia a sede  
Deus é a fonte eterna.

A paz que rege o cosmos  
É a mesma paz  
Que flui da natureza  
Em forma de energia.

A essência do universo é Deus  
E este universo sou eu...  
O ar que respiro é Deus  
Esta água que meu corpo sorve.

A materialidade do ter  
Confunde-se com a mortalidade do ser;  
E neste complexo evolutivo  
A espiritualidade é o essencial.

Aonde mora a imortalidade  
A matéria não faz sua morada;  
A verdadeira eternidade do ser  
Está despida da materialidade do ter.

*XII. O DEUS UNO*
As religiões que nos são apresentadas  
Nos mostram as mil faces de meu Deus.  
Tudo isso é tolice e mais nada,  
Pois o Deus Uno este é o nosso Deus.

Deus, meu irmão, é teu Deus, é o nosso Deus.  
Não importa qual a tua religião.

Deus é o infinito universo  
Deus é a fonte da pureza;  
Deus é a luz, é a verdade;  
Deus é o tudo, é a grandeza.  
Deus germina a bondade  
Nas flores de meu jardim.

Deus é a luz da ciência  
Deus é meu pai, é senhor;  
Deus é sapiência;  
Deus é meu redentor.

Deus é amor, onipotência,  
A substância sideral;  
Ele é tudo que imaginamos  
No contexto universal.

*J.L.Borges.do Brasil ®


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