Meu casarão desengonçado, Muitas janelas estilhaçadas;
Suas paredes fosco lilás,
Cupins no assolho, velhos vitrais.
No teto alto que é mal pintado, Candelabro prata, lâmpadas quebradas;
Quartos vazios envolto em teias,
E pó de estrada pra todo o lado.
Tem nas parentes mil tontas heras,
Um velho jardim que abriga insetos;
Verte vertentes de água fresca,
E plantas verdes na primavera. Meu casarão sempre se resfria,
Nas longas chuvas e ventanias;
As noites escuras lhe dá insonia,
Medo do escuro e de silêncio. Quando o sol chega,
Meu casarão fica faceiro;
Fazendo festa beija as nuvens,
E os passarinhos voam no teto.
Meu casarão e muito estranho,
Mas o seu porte me satisfaz;
Quando estou nele me sinto um rei,
E é nele que vivo em paz.
*J.L.Borges.do Brasil ®
Guaiba…01/2026
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