RECORDAÇÕES
À noite calma estagia minha alma,
Envolve meu ser,
Chamando-me a viver.
A noite fria faz eu lembrar,
Dos dias que a tempos passaram,
E eu aqui fico a refletir.
É uma noite estrelada,
Que faz eu recordar a vida passada,
Cheia de dores e alegrias,
As vezes cheia, as vezes vazia.
Hoje eu tenho vinte anos;
Vinte paixões e desenganos,
Vinte ilusões que habitam meu coração.
Lembro do tempo de criança,
Onde eu brincava num rio de águas mansas,
O meu rio Camaquã.
Lembro-me do Sapato,
Há tanto tempo deixei este lugar,
Mas nunca mais o esquecerei,
Ele se localiza entre Camaquã,
São Lourenço e Canguçu,
Eu ainda recordo-me,
Do vento a sacudir os bambuzais,
Depois eu sai de lá,
Fui para outro lugar,
Novas emoções comecei a sentir,
Comecei a cultivar o amor de criança,
Entre os Kraft e os Barrancos,
Naqueles dois lugares pouco tempo morei,
Mas cresci um pouco lá,
Havia um lago onde eu gostava de pescar,
Com meus amigos todas as tardes lá ia nadar,
As vezes por andar de funda,
Apanhava cada tunda,
Nas sombras dos pinheirais ouvia os cantos dos sabias,
Nos meios dos bambuzais corrias atrás de preás.
Depois vim para Camaquã,
Meu ontem e meu amanhã,
Moro aqui desde sessenta e três.
Toda a minha juventude por aqui passei,
Embora eu um dia sai daqui, eu sempre o amarei,
Terminando minhas recordações, do meu passado não esqueço,
Mas do futuro?
*J.L.BORGES
Camaquã.1976
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