LÁGRIMAS DE UM SONHO
Um vulto de sombra negra,
Perdido num nada extremo;
Este vulto quem será?
Será eu, você ou nada?
Penso tanto, que importa,
Se é você ou se é nada;
Entro então dentro de mim,
Meu coração fica gelado.
Percebo mais uma vez,
O vulto que de mim foge;
Estava perto de mim,
Escorre por entre os dedos.
Sei bem quem era este vulto,
Sua cor de um branco negro;
Agora atônito percebo,
Que este vulto era eu.
Agora acordo do sonho,
Suando, meu peito arde;
Acordo, fico tão triste,
Porque estava chorando.
*J.L.BORGES
Porto Alegre.1978
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