JOVEM VELHO
Tanto riso a meu lado,
Tanto amor, tanta alegria;
Mas me perco no silencio,
Desta longa poesia.
Sou um jovem velho,
Não de corpo, mas de alma;
Meu coração antes criança,
Não tem amor, não tem calma.
Gritos de dor sufocados,
Pela eterna solidão;
Gritos de angustia que morrem,
Nas notas de uma canção.
Meus versos?Sei que são loucos,
Pois nem eu os compreendo;
Jovem velho sei que sou,
Não me entendes, não me entendo.
Estou morrendo por dentro,
Nunca mais eu vou sorrir;
Jovem velho sei que sou,
Não mais adianta fingir.
*J.L.BORGES
P.Alegre.1978
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