segunda-feira, 9 de outubro de 2017

JOVEM VELHO

JOVEM VELHO

Tanto riso a meu lado,
Tanto amor, tanta alegria;
Mas me perco no silencio,
Desta longa poesia.

Sou um jovem velho,
Não de corpo, mas de alma;
Meu coração antes criança,
Não tem amor, não tem calma.

Gritos de dor sufocados,
Pela eterna solidão;
Gritos de angustia que morrem,
Nas notas de uma canção.

Meus versos?Sei que são loucos,
Pois nem eu os compreendo;
Jovem velho sei que sou,
Não me entendes, não me entendo.

Estou morrendo por dentro,
Nunca mais eu vou sorrir;
Jovem velho sei que sou,
Não mais adianta fingir.

*J.L.BORGES
P.Alegre.1978

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