terça-feira, 6 de março de 2018

AGUAS DE OUTONO

AGUAS DE OUTONO

Não tenho inspiração para te amar,

Nem para recitar versos de amor;

Toda minha ternura perdeu-se com a chuva,

Que anunciou outonos e depois partiu.

Não te vejo mais nem mesmo em meus sonhos,

Não te beijo mais e nem falo contigo;

Tudo perdeu-se, foi embora,

Até aqueles sonhos que tinha a teu lado.

Triste a despedida sem dizer-te adeus,

Olhos rasos dagua que nunca choramos;

Não dissemos nada, nem mesmo até logo,

E esta lacuna calou o coração.

Agora que o amor partiu me dei conta,

Que a voz dos sonhos é alta e dói demais;

O silencio que vem e penetra neste quarto,

Me faz te ouvir distante, mas não te alcanço mais.

Assim eu vou seguindo, distante de ti,

Sem ter inspiração para recitar meus versos;

Até aquele amor que eu tinha foi embora,

Com a chuva que partiu, deixando o outono triste.

 *J.L.BORGES

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