QUARTA FEIRA DE CINZAS
São cinzas ardentes,
Em meu coração;
Bondade carente,
Mostrando a ilusão.
A onde a vontade,
Se esconde de mim;
Na doce maldade,
Do não dizer sim.
Eu ouço ao longe,
Um rouco tan- tan;
Que aos poucos esconde,
O meu amanhã.
Assim vou passando,
Que a minha esperança,
É uma folha flutuando,
Alem da lembrança.
Desejo fatal,
Que sempre começa;
A onde o mal,
Faz louco sua festa.
São cinzas finais,
São ventos e nada;
Mensagens formais,
No fim da estrada.
Eu vejo na quarta,
A feira do vento;
Que vem e que mata,
Afaga o momento.
Memórias presentes,
Bem dentro de mim;
Vontade carente,
De não dizer sim.
*J.L.BORGES
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