segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

SIMPLICIDADE

                      SIMPLICIDADE

Sou eu aquele quadro esquecido,

Que pode ser relembrado,

E depois de encontrado,

Jamais pode ser perdido.

Sou eu criança atrevida,

Roubando cores do céu;

Só pra tingir de esperança,

Esta luzes que te beijam.

Sou eu diabinhos da infância,

De pés no chão, sem camisa;

Cavalgando sobre verdes campos,

No minuano que sopra.

Sou sonhos que sempre voltam,

E batem na mesma porta;

Sonhos estes que confortam,

E ateu rosto acariciam.

Eu também sou melodia,

Nesta noite que não finda;

Sou feliz, pois sou ainda,

Este tímido vaga-lume.

*J.L.BORGES
1994

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