sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

DEMÔNIO NOTURNO

DEMÔNIO NOTURNO

No fundo da alma,

No fundo do peito;

Me destes tua calma,

Teu sacrifício.

És calma em teu vicio,

O amor vagabundo;

Girando num mundo,

A vadiar.

Teu corpo é conforto,

Meu corpo é teu porto;

Tu és meu navio,

Vem navegar.

Depois desta tarde,

Lá longe o farol;

É luz que em ti arde

O meu sol.

Fecho os meus olhos

E enfim vem a noite;

Teus beijos açoites,

Neste lençol.

Sou ave diurna,

A espera da luz;

Pregado em teu corpo,

A minha cruz.

Jamais te reclamo,

Mulher, eu te amo;

Pois és minha deusa,

Meu diabo noturno.

*J.L.BORGES

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