PORTAS ABERTAS
Mocidade de vida farta,
Andando em longas estradas;
Animais perdidos nas relvas,
As selvas destas idades.
Tempos que chegam sem pressa,
Sem convites, sem bater;
Na porta da negra vida,
Perdida e jogada ao vento.
Importa-me a mocidade,
Sem idade e sem cobrança;
Por isso saia da chuva,
Moça, entre e feche a porta.
Ao longo de tantas vidas,
Joguei e perdi, não nego;
Agora fico a espreita,
Na espera de um grande gozo.
Joguei minha mocidade,
O tempo, o vento e a vida;
Restam- me sonhos agora,
Os sonhos que rabisquei.
*J.L.BORGES
1994
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