segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

AMOR DE CRISTAL

AMOR DE CRISTAL

Na seqüência uniforme do belo intenso,

A insônia de sonhos a muito me ataca;

Pena que o amor que eu quero,

Vem em vidro não em lata.

Serão sombras ou anjos que na noite escura,

Atacam minha calma, não me deixam dormir;

Se quero amar-te é também loucura,

É estranha a procura, queria sorrir.

Na freqüência disforme o feio é fraterno,

A incoerência de medos a muito me ataca;

E este amor incerto que acalma meu inferno,

Me deixa a certeza que é vidro não é lata.

E mais uma vez o copo de vinho,

Permite que eu possa sonhar sem dormir;

Trazendo a ilusão que estes falsos carinhos,

Dados por ti não me podem ferir.

A noite enfim parte e vem mais um dia,

De estrelas e sois em meu coração;

Mostrando-me que este amor de cristal agonia,

Será companheiro desta solidão.

 *J.L.BORGES
1994

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