AMOR DE CRISTAL
Na seqüência uniforme do belo intenso,
A insônia de sonhos a muito me ataca;
Pena que o amor que eu quero,
Vem em vidro não em lata.
Serão sombras ou anjos que na noite escura,
Atacam minha calma, não me deixam dormir;
Se quero amar-te é também loucura,
É estranha a procura, queria sorrir.
Na freqüência disforme o feio é fraterno,
A incoerência de medos a muito me ataca;
E este amor incerto que acalma meu inferno,
Me deixa a certeza que é vidro não é lata.
E mais uma vez o copo de vinho,
Permite que eu possa sonhar sem dormir;
Trazendo a ilusão que estes falsos carinhos,
Dados por ti não me podem ferir.
A noite enfim parte e vem mais um dia,
De estrelas e sois em meu coração;
Mostrando-me que este amor de cristal agonia,
Será companheiro desta solidão.
*J.L.BORGES
1994
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