PESADELO
A onde foi parar a mocidade?
Minha vida... Meus sonhos... Meus anseios?
Ando perdido com o coração partido ao meio,
Gotejando aos poucos a eternidade.
Meu ontem presente hoje é passado,
E o futuro logo será nosso agora;
É tão triste a desilusão de tantas horas,
Que caminham passo a passo a nosso lado.
A vaidade é uma teia, um novelo,
A onde enredo-me feito inseto extático ao vento;
O tormento será sempre meu tormento,
Se não acordar logo deste pesadelo.
Existem ajudas piores que navalhas,
Que te sangram e castram a ilusão;
Quem dera amigo eu aperte tua mão,
Sem te cobrar sorrisos e migalhas.
Preciso reencontrar os caminhos da vitória,
Com bons ventos e um sol que brilhará;
Trazendo a realidade que me fará,
Novamente ser homem... Ser historia.
*J.L.BORGES
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