O SEMEADOR
O rio flui alegre, o rio e o sol,
A lua vadia procura um cão;
São tantas as estrelas no azul do lençol,
Que os vaga-lumes imitam os faróis.
O lobo solitário faz festa pra lua,
No meio da rua o bêbado cambaleia;
No fio da navalha surge a mortalha,
É o nosso destino a chegar de repente.
O semeador descobre no âmago da terra,
Uma virgem vertente brotando dos morros;
Na paz desta gente, da tênue semente,
Nasce o alimento, femento da vida.
*J.L.BORGES
1992
Nenhum comentário:
Postar um comentário