quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

CANÇÃO DA CHUVA

CANÇÃO DA CHUVA

A chuva que conforta,

É a mesma que minha porta,

Molha sem piedade;

Ou será a realidade,

Com os olhos rasos dagua,

Chorando por minhas magoas?

A chuva que me toca,

É a mesma que sufoca,

E suaviza minha pena;

Ou será a realidade,

Chorando de saudade,

Com saudade apenas?

A chuva lentamente,

Lava meus lamentos,

Passados e presentes;

Minha alma então lavada,

Não chora mais por nada,

Só planta esta semente.

*J.L.BORGES
1992

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