CANÇÃO DA CHUVA
A chuva que conforta,
É a mesma que minha porta,
Molha sem piedade;
Ou será a realidade,
Com os olhos rasos dagua,
Chorando por minhas magoas?
A chuva que me toca,
É a mesma que sufoca,
E suaviza minha pena;
Ou será a realidade,
Chorando de saudade,
Com saudade apenas?
A chuva lentamente,
Lava meus lamentos,
Passados e presentes;
Minha alma então lavada,
Não chora mais por nada,
Só planta esta semente.
*J.L.BORGES
1992
Nenhum comentário:
Postar um comentário