O TRIGO
Sai de uma semente,
Cresci e fui o pão;
Do sol eu fiz a festa,
No coração.
Cresci livre no tempo,
Meu corpo fez canção;
O pão que alimenta,
A vida e o momento
Fui a espera da lavoura,
Do vento fui o riso;
Eu fui o paraíso,
A fruta a alimentar.
Depois de tantas idas,
Sorri com a tempestade;
Ventos de tantos invernos,
Sem tempo e sem idade.
Em pouco tempo a crença,
Tomou conta de mim;
Morri um pouco mais,
Pra ter vida e experiência.
*J.L.BORGES
1990
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