O BÊBADO E O EQUILIBRISTA
Você está sendo embalado pela morte,
E disso eu não acho graça
Bebendo vinho e sorvendo cachaça,
Você se entrega a própria sorte.
Será que você não consegue enxergar,
A luz do túnel que está a sua frente?
Você está se atolando na lama, e descrente,
Ignora a própria vida que está a passar.
Medindo os passos sem precisão,
Você tenta atravessar esta rua
Que é a vida sofria que antes era sua,
Mas que agora não passa de ilusão.
Em cada esquina você cai na calçada,
E fica desolado, de tudo achando graça;
Olhando por detrás de uma vidraça,
A sua vida que está sendo marcada.
Pobre tolo, um completo vagabundo.
Perdendo-se nos tentáculos da preguiça;
Ele até parece um equilibrista,
Que da corda bamba olha o mundo.
*J.L.BORGES
Porto Alegre.1982
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