SERPENTE
Onde tu estas estou contigo,
Sou viciado neste teu corpo, meu amor;
Tua flor da volúpia é o meu castigo,
Estes beijos incandescentes, minha dor.
Na loucura desta fuga tu me amparas,
Sou teu escravo, prisioneiro e nada mais;
Eu caído na sarjeta, tu me agarras,
Sugando aos poucos minha paz.
Sigo assim carregado pelo tempo,
Nesta estrada suja, estrada morta;
Arrastando esta vida, torpe lamento.
Tento esquecer esta nefasta e maldita;
Serpente que deixou minha alma torta,
Ao estrangular um coração que mal palpita.
*J.L.BORGES
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