“O RELÓGIO”
O relógio engole as horas,
Devora o tempo;
Os momentos vão embora,
Com o vento...
O relógio não dá tréguas, é implacável,
Torna a eternidade pequena;
Fera insana e insaciável,
Nem dos segundos tem pena.
Solitário viajante,
Este monstro de metal;
A sorver os nossos instantes,
Deus fatal...
Não respeita o criador,
Qual cruel criatura;
Seu tic-tac de dor,
Dá alegria e loucura.
*J.L.BORGES
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