quinta-feira, 17 de maio de 2018

MÃE TERRA

MÃE TERRA

O mar que banha meu corpo,

Num jeito medonho, e importuno;

Parece as tristezas de marte,

E os suspiros do velho netuno.

As pedras que ferem meus pés,

Ao longo dos tempos dos anos;

Parecem-me visões de saturno,

E lagrimas do inóspito urano.

O ar que beija minha face,

E o fogo em meu coração;

Me lembra o sorriso de Vênus,

O olhar do longínquo plutão.

A água que acalma a sede,

Do corpo, da mente, da alma;

Me faz ter lembranças de júpiter,

Me faz reviver o meu karma.

O silencio que reina em mercúrio,

No meio de tantas expulsões;

Me faz te lembrar mansamente,

Oh! Terra de tantas ilusões.

 *J.L.BORGES

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