INSÔNIA
Um cão vadio e rouco,
Uivando para a lua,
Um gato vagabundo,
Passeia nos telhados;
Um ébrio cambaleia,
No escuro vão da rua,
Caminha lentamente,
Seus passos são pesados.
Lamurios de uma criança,
Eu ouço na distancia,
Também um violão,
Chorando de saudade;
Me dá uma vontade,
De compor uma canção,
Que fale de amor,
Distante da maldade.
E neste instante eu penso,
U pouco nesta vida,
Tão densa e distraída,
Teimando em ir embora;
A minha alma chora,
Oh! Alma tão querida,
Que quer aqui ficar,
Ao longo destas horas.
São horas de insônia,
E um tanto de abandono,
Eu tento em vão dormir,
Sorrir, mas não consigo;
E ela a meu lado,
Envolta em plácidos sonhos,
Alheia a minha insônia,
Está aqui comigo.
*J.L.BORGES
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