OUTONO
O vento ensaia uma dança,
No palco as flores tardias;
Pintam de azul a esperança,
No continuar destes dias.
Nuvens espiam a terra,
Entre suspiros e ais;
Saudade da primavera,
Daqueles louros trigais.
Ao longe um solitário,
Pássaro geme uma canção;
Num desfiar de rosários,
Nostalgias do verão.
O outono caminha denso,
Naqueles passos miúdos;
Num jeito quieto e propenso,
A chegar aqui, carrancudo.
Na distancia espio o inverno,
Louco pra chegar a hora;
De trazer o seu eterno,
Branquear das jovens auroras.
*J.L.BORGES
Nenhum comentário:
Postar um comentário