quinta-feira, 5 de abril de 2018

OUTONO

OUTONO

O vento ensaia uma dança,

No palco as flores tardias;

Pintam de azul a esperança,

No continuar destes dias.

Nuvens espiam a terra,

Entre suspiros e ais;

Saudade da primavera,

Daqueles louros trigais.

Ao longe um solitário,

Pássaro geme uma canção;

Num desfiar de rosários,

Nostalgias do verão.

O outono caminha denso,

Naqueles passos miúdos;

Num jeito quieto e propenso,

A chegar aqui, carrancudo.

Na distancia espio o inverno,

Louco pra chegar a hora;

De trazer o seu eterno,

Branquear das jovens auroras.

*J.L.BORGES

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