quinta-feira, 5 de abril de 2018

INFÂNCIA

INFÂNCIA

Quem será esta criança no jardim,

Será um anjo me trazendo a esperança;

Ou a saudade encravada em mim,

Dando-me apenas momentos de lembrança?

Eu vejo esta criança sem camisa,

Colhendo flores que a primavera aqui deixou;

Cabelos desfolhados em mansa brisa,

Terna inocência que o tempo não levou.

A manhã passa miúda, e lá está ela,

Neste jardim que a infância aqui me traz;

Suspirante debruço-me na janela,

E lá esta ela, levitando em doce paz.

Estes momentos levam-me de volta ao passado,

Onde eu criança, corria solta ao vento;

Ah! Que me dera te-la aqui, branda a meu lado,

Saudosa infância que fugiu, partiu com o tempo.

*J.L.BORGES

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