INFÂNCIA
Quem será esta criança no jardim,
Será um anjo me trazendo a esperança;
Ou a saudade encravada em mim,
Dando-me apenas momentos de lembrança?
Eu vejo esta criança sem camisa,
Colhendo flores que a primavera aqui deixou;
Cabelos desfolhados em mansa brisa,
Terna inocência que o tempo não levou.
A manhã passa miúda, e lá está ela,
Neste jardim que a infância aqui me traz;
Suspirante debruço-me na janela,
E lá esta ela, levitando em doce paz.
Estes momentos levam-me de volta ao passado,
Onde eu criança, corria solta ao vento;
Ah! Que me dera te-la aqui, branda a meu lado,
Saudosa infância que fugiu, partiu com o tempo.
*J.L.BORGES
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