PRECEITOS EM TORNO DA SOGRA
Uma cobra mordeu minha sogra,
Vejam só o que aconteceu;
Em vez de morrer minha sogra,
Foi a cobra que morreu.
Um cusco atacou minha sogra,
Ninguém veio a seu socorro;
E no velório da velha,
Queriam comprar o cachorro.
Minha sogra, coitadinha,
Foi mordida por um caduco,
Guaipeca, bicho à toa,
E ele ficou maluco.
Minha sogra estava pescando,
Uma sucuri a atacou,
Em vez da cobra a devorar,
Foi ela que a devorou.
Minha sogra ficou um mês,
Em minha casa, oh gente!
Tirando sebo da orelha,
E arrotando aguardente.
Não mandei ela pro inferno,
Por pena do belzebu;
O inferno já é uma merda,
Imaginem com a cururu.
Uns dizem que no inferno,
O tempo é lento e medonho;
Já pensou a sogra no inferno?
Coitadinho do demônio.
Sogra é uma diarréia,
Que nunca se vai de vez;
Um artigo indefinido,
Quer comprar ela freguês?
Quando eu enterrar minha sogra,
Vai ser de ponta cabeça;
Se a velha ressuscitar,
No Japão desapareça.
Passar a mulher pra trás,
Isto é fácil minha gente;
Mas a danada da sogra,
É difícil passar pra frente.
Sogra é coisa do capeta,
Miragem que não seduz;
É mistura de cruz credo,
Filhote de credo em cruz.
No longínquo paraíso,
O ingrato papel da cobra;
Foi deixar Eva parir,
Para assim inventarem a sogra.
*J.L.BORGES
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