sexta-feira, 23 de março de 2018

PRECEITOS EM TORNO DA SOGRA

PRECEITOS EM TORNO DA SOGRA

Uma cobra mordeu minha sogra,

Vejam só o que aconteceu;

Em vez de morrer minha sogra,

Foi a cobra que morreu.

Um cusco atacou minha sogra,

Ninguém veio a seu socorro;

E no velório da velha,

Queriam comprar o cachorro.

Minha sogra, coitadinha,

Foi mordida por um caduco,

Guaipeca, bicho à toa,

E ele ficou maluco.

Minha sogra estava pescando,

Uma sucuri a atacou,

Em vez da cobra a devorar,

Foi ela que a devorou.

Minha sogra ficou um mês,

Em minha casa, oh gente!

Tirando sebo da orelha,

E arrotando aguardente.

Não mandei ela pro inferno,

Por pena do belzebu;

O inferno já é uma merda,

Imaginem com a cururu.

Uns dizem que no inferno,

O tempo é lento e medonho;

Já pensou a sogra no inferno?

Coitadinho do demônio.

Sogra é uma diarréia,

Que nunca se vai de vez;

Um artigo indefinido,

Quer comprar ela freguês?

Quando eu enterrar minha sogra,

Vai ser de ponta cabeça;

Se a velha ressuscitar,

No Japão desapareça.

Passar a mulher pra trás,

Isto é fácil minha gente;

Mas a danada da sogra,

É difícil passar pra frente.

Sogra é coisa do capeta,

Miragem que não seduz;

É mistura de cruz credo,

Filhote de credo em cruz.

No longínquo paraíso,

O ingrato papel da cobra;

Foi deixar Eva parir,

Para assim inventarem a sogra.

                            *J.L.BORGES

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