DE BAR EM BAR
De bar em bar nascem os sonhos,
Mariposas borbulhantes em densos sonhos;
A noite estranha enfeita-se de medonhos,
Diabinhos efervescentes a matraquear.
Tateio vultos nas calçadas desdentadas,
Será o futuro que chegou sem avisar?
E neste escuro vejo a lua decotada,
Espiando o viajante a bocejar.
O me sono perdeu-se envolto em brumas,
Mas a noite não perdoa esta tristeza;
De bar em bar me borro nesta espuma,
Da cerveja gelada sobre a mesa.
Sinto risos neste bar de embriagados,
Nesta aparência solitária desta gente;
Ébrios seres em conflitos e isolados,
Neste infinito de fumaça e aguardente.
Nesta insônia a noite acaba sem sentido,
Volto pra casa mais velho e mais cansado;
Sem os abraços e os afetos dos amigos,
Levando um efêmero amor, jovem a meu lado.
*J.L.BORGES
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