segunda-feira, 5 de março de 2018

MEU COTIDIANO

MEU COTIDIANO

Aqui nesta cidade,

Selva de concreto;

Não vejo mais florestas,

Nem campos verdejantes.

Não vejo bois nos campos,

Nem cantos de cigarras;

O grito das cascatas,

E o serpentear dos rios.

Não ouço quero-queros,

Nas brancas densidades;

É triste as nostalgia,

E os sonhos de saudade.

O sol quando se põem,

As tardes ficam tristes;

Nas noites escassas estrelas,

No céu de minha alma.

Não sei mais o que é calma,

O cantar dos passarinhos;

Nem flores mais conheço,

Encontro-me sozinho.

Aqui faz tanto frio,

Minha alma até congela;

Não sei se é de saudade,

Ou se é melancolia.

Queria estar ai,

Ai fora, ,eu amigo;

Mas não posso, sou cativo,

Do deserto da cidade.

 *J.L.BORGES

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