MEU COTIDIANO
Aqui nesta cidade,
Selva de concreto;
Não vejo mais florestas,
Nem campos verdejantes.
Não vejo bois nos campos,
Nem cantos de cigarras;
O grito das cascatas,
E o serpentear dos rios.
Não ouço quero-queros,
Nas brancas densidades;
É triste as nostalgia,
E os sonhos de saudade.
O sol quando se põem,
As tardes ficam tristes;
Nas noites escassas estrelas,
No céu de minha alma.
Não sei mais o que é calma,
O cantar dos passarinhos;
Nem flores mais conheço,
Encontro-me sozinho.
Aqui faz tanto frio,
Minha alma até congela;
Não sei se é de saudade,
Ou se é melancolia.
Queria estar ai,
Ai fora, ,eu amigo;
Mas não posso, sou cativo,
Do deserto da cidade.
*J.L.BORGES
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