BEIJO DA CHUVA
Minha rua acordou,
Cheia de buracos,
Inerte, em cacos,
Pela chuva que vai,
Dilatando seus sulcos,
Feridas abertas
Ilusão doce e incerta,
Manchando esta rua.
Seus traços mosqueados,
Feridas antigas,
São lagrimas da chuva,
Gentis cicatrizes
Nos rostos infelizes,
Que fogem da chuva,
A chuva que rasga
E beija minha rua.
*J.L.BORGES
Nenhum comentário:
Postar um comentário