segunda-feira, 5 de março de 2018

BEIJO DA CHUVA

BEIJO DA CHUVA

Minha rua acordou,

Cheia de buracos,

Inerte, em cacos,

Pela chuva que vai,

Dilatando seus sulcos,

Feridas abertas

Ilusão doce e incerta,

Manchando esta rua.

Seus traços mosqueados,

Feridas antigas,

São lagrimas da chuva,

Gentis cicatrizes

Nos rostos infelizes,

Que fogem da chuva,

A chuva que rasga

E beija minha rua.

   *J.L.BORGES

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