JANELAS DO PASSADO
Passos de chumbo carregam lenços,
Mala e flores na despedida;
Crianças descem, crianças sobem,
Velhas escadas na avenida.
Os bondes passam de hora em hora,
Sons estridentes reclamam idas;
De lá pra cá, de cá pra lá,
No fresco vento de nossas vidas.
E nas calçadas mal distribuídas,
Os tabuleiros reclamam doces;
O dia chega, lento e pesado,
Parece jovem aborrecida.
Segue a manhã e o bonde passa,
Também gemidos de carruagens;
Fecho meus olhos, vejo mensagens,
No azul trincado destas vidraças.
*J.L.BORGES
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