INSPIRAÇÃO
Na aspiração desta noite calma,
A inspiração parece estrelas dalvas;
Nascendo no horizonte desta terna alma,
Chega em meus sonhos sem saber por que.
Faz da minha casa sua moradia,
Sem pedir licença dorme em minha cama;
Em sua indeiscência insinua versos,
Finge que não quer, mas sempre me chama.
Usa minha mesa, bebe dos meus vinhos,
Mudo, atônito e quieto olho para ela;
Chega de repente, depois vai embora,
Igual luz da lua, solta nas janelas.
Sem dizer-me adeus, sem olhar para trás,
E triste nesta hora, minha alma chora;
Esta noite calma me sugere sonhos,
Sonho então com ela em algum lugar.
*J.L.BORGES
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