DOCE AMADA
Doce amada desta ingrata vida,
Quero-te tanto e muito minha querida;
Que até a saudade e este cruel pranto,
Tornou meu mundo, triste e sem encanto.
Doce amada de um perdido tempo,
De paz e luz, sem magoa e sem lamentos;
A onde estavas? Eu tanto te queria,
Mas quanto mais sonhava mais eu te perdia.
E assim eu te perdi, minha doce amada,
Tornei-me então nesta vida desgraçada;
Um triste ser a percorrer caminhos,
De dor e saudade, um homem sozinho.
Sozinho e divagando nesta vida ingrata,
Com esta melancolia que carrego e que me mata;
Sempre com saudade desta doce amada,
Que me deixou perdido nesta longa estrada.
Estrada que agora solitário percorro,
Sem ter a doce amada em meu socorro;
Sem ter ninguém, pois sou um moribundo,
Andando triste e só por este mundo.
*J.L.BORGES
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