CORES DE ABRIL
Fecho os olhos e vejo o branco,
Estendido em tenras relvas,
Vejo ao longe a casa laranja,
Violetas em jardins e aquarelas,
E na linha do horizonte virgens relvas.
Logo ali vejo o cinza do rio,
E o frio no galpão encarnado,
O portão mosqueado rangendo,
Decifrando canções das estradas,
No plúmbeo de meu coração escarlate.
No horizonte vejo o verde das matas,
No ocaso vermelho deste céu,
Flores roxas e rosas em festas,
Que a saudade semeou nestas florestas,
Mas que i tempo depois tomará.
Também vejo a dança frenética,
No olhar azul da mulher,
Minha prenda encantada que sonha,
Seus cabelos prateando meu rosto,
Clara paz em seu riso bonito
Abro os olhos e a tarde se vai,
Igual quero-quero no ar,
Tudo passa na vida da gente,
Passa o verde, o vermelho, o amarelo,
Mas o eterno no azul vai ficar.
*J.L.BORGES
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