terça-feira, 6 de março de 2018

CORES DE ABRIL

CORES DE ABRIL

Fecho os olhos e vejo o branco,

Estendido em tenras relvas,

Vejo ao longe a casa laranja,

Violetas em jardins e aquarelas,

E na linha do horizonte virgens relvas.

Logo ali vejo o cinza do rio,

E o frio no galpão encarnado,

O portão mosqueado rangendo,

Decifrando canções das estradas,

No plúmbeo de meu coração escarlate.

No horizonte vejo o verde das matas,

No ocaso vermelho deste céu,

Flores roxas e rosas em festas,

Que a saudade semeou nestas florestas,

Mas que i tempo depois tomará.

Também vejo a dança frenética,

No olhar azul da mulher,

Minha prenda encantada que sonha,

Seus cabelos prateando meu rosto,

Clara paz em seu riso bonito

Abro os olhos e a tarde se vai,

Igual quero-quero no ar,

Tudo passa na vida da gente,

Passa o verde, o vermelho, o amarelo,

Mas o eterno no azul vai ficar.

 *J.L.BORGES

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