quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

MIL 999

MIL 999.

Mil novecentos e noventa e nove,

O ano da mentira,

O ano em que o enfermo,

Talvez este jovem,

Se torne onipotente;

E a gente, pobre gente,

Cordeiro maculado,

Um povo aniquilado,

Colhendo a semente,

Que um dia alguém jogou,

No solo esterilizado

Que a tal televisão,

Adubou com propagandas.

Assim segue este ano,

Um ano mentiroso,

Vendendo a ilusão,

Ao âmago desta gente,

Pagando impostos novos,

Que o pobre não consegue,

Assim ele persegue,

A pomba que voou

Que povo distraído?

Cansado disso tudo,

Não dá, já não me iludo,

Sou pagina esquecida,

No fim do calendário,

Talvez ano que vem...

  *J.L.BORGES

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