MIL 999.
Mil novecentos e noventa e nove,
O ano da mentira,
O ano em que o enfermo,
Talvez este jovem,
Se torne onipotente;
E a gente, pobre gente,
Cordeiro maculado,
Um povo aniquilado,
Colhendo a semente,
Que um dia alguém jogou,
No solo esterilizado
Que a tal televisão,
Adubou com propagandas.
Assim segue este ano,
Um ano mentiroso,
Vendendo a ilusão,
Ao âmago desta gente,
Pagando impostos novos,
Que o pobre não consegue,
Assim ele persegue,
A pomba que voou
Que povo distraído?
Cansado disso tudo,
Não dá, já não me iludo,
Sou pagina esquecida,
No fim do calendário,
Talvez ano que vem...
*J.L.BORGES
Nenhum comentário:
Postar um comentário