MÃOS
Mãos que respiram sangue,
O suor das multidões,
O afago imposto à gente,
Na palma das próprias mãos,
Que leve tocam na mente.
Onde a enxada e o almofacer,
Na busca eterna do pão,
Unem-se em um concerto,
A onde o maestro é a mão,
Que indica o tempo certo.
E os calos que acariciam a palma,
Das mãos desta pobre gente,
É luz que emana da alma,
Pra terra que paciente espera,
As mãos a semear sementes.
*J.L.BORGES
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