sábado, 17 de fevereiro de 2018

O ARMAZEM

O ARMAZEM

Promessas em ofertas nas prateleiras,

Na geladeira um coração;

A aguardente a esquentar a gente,

Um velho vinho a inspirar canção.

Quilos de trigo pra inventar um sonho,

O fermento seco a gerar a vida;

E lá num canto da frágil vitrine,

A boneca de pano, plácida e aquecida.

Em cima do balcão azul e empoeirado,

Velha balança a pesar momentos;

Entre brinquedos e guloseimas,

Inerte repousa tantos cata ventos.

Tantos objetos, muitas propagandas,

Faladas em radio, impressos em jornais;

Faz do armazém este novo mundo,

Um mundo colorido este cartão postal.

 *J.L.BORGES

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