TREZE DE GRAUS
São treze degraus intactos,
Separando a vida da morte;
Feitos de concreto e abstrato,
No fraco e no homem forte.
Um degrau é da amizade,
O outro do nascimento;
Semente da eternidade,
Num mundão de esquecimento
Um degrau é da verdade,
Num imenso mutirão;
De sonhos e de saudade,
O outro degrau, razão.
Um degrau é do progresso,
No eterno pais dos sonhos;
Onde o homem sem sucesso,
Naufraga no eu tristonho.
Existe um degrau estranho,
De paz... guerras... incertezas;
Onde o amor não tem tamanho,
Onde não vinga a tristeza.
Existem treze degraus,
Ao longo da avenida;
Um degrau do homem mau,
O outro do amor e lida
Degraus de mãos opressoras,
De mãos que oferecem pão;
Caridade promissora,
Na face do bem irmão.
Existe um degrau chamado,
Segredos do bem viver;
Num mundo catalisado,
O outro é saber morrer.
Existem treze degraus,
Separando a vida da morte;
Separando os bons dos maus,
O ultimo se chama sorte.
Treze degraus feitos de sonhos,
No punho da eternidade;
Luzes de um mundo medonho,
Treze degraus... Treze verdades.
*J.L.BORGES
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