ROSA DA REALIDADE
Na plenitude do pensamento,
Perdi sonhos a seu lado;
Na quietude do momento,
Colhi rosas petrificadas do passado.
Nada fiz por você,
E nada faço;
Mas meus braços te amparam,
E quando caio, me amparo em seus braços.
A seu lado choro e rio, vez em quando,
E meus sonhos vez por outra são em vão;
No silencio de meu quarto ouço prantos,
São de mim ou de você, mas sem razão.
Por que choramos amor, se o paraíso,
Esta bem perto, ao alcance de nossa mão;
Abramos o rosto para mostrarmos o sorriso,
Este riso que não vem do coração.
Hoje eu sei que no infinito do momento,
Encontraremos por ai os sonhos da gente;
No grito imortal do pensamento,
Colheremos rosas petrificadas do presente.
*J.L.BORGES
1992
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