QUANDO O AMOR ESTÁ MORTO
Quando o amor está morto,
As flores morrem um pouco também,
O sol mal brilha no céu,
E a lua vadia recolhe-se mais cedo.
Quando o amor está morto,
Os pássaros não ensaiam gorjeios joviais,
Nas copas das árvores,
Só cânticos fúnebres os pássaros ensaiam,
Reclamando a falta do amor que morreu.
Quando o amor está morto,
O infinito perde um pouco o seu sentido,
O céu troca o seu azul distante,
Por cinzas de chumbo, pesados e dormentes,
E até a falta do amor é sentida,
Por aquelas pessoas que jamais amaram alguém.
*J.L.BORGES
1994
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